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Correio Braziliense

Construtora MRV diversifica e usa tecnologia para crescer

Empresa avança em outros segmentos e busca reduzir gastos fixos com a ajuda de inovação


postado em 07/12/2018 06:00 / atualizado em 06/12/2018 23:39

"Modificar radicalmente um programa exitoso como o Minha Casa Minha Vida só se o cara for louco. Pode mudar o nome, algum parâmetro, talvez", Rafael Menin, copresidente da MRV (foto: Divulgação)

São Paulo — Maior construtora de imóveis residenciais da América Latina, a MRV deve terminar 2018 com o lançamento de 48 mil unidades. No ano que vem, o número deverá chegar a 50 mil imóveis, o que é reflexo, principalmente, da retomada econômica. Para os copresidentes da companhia Rafael Menin e Eduardo Fischer, nem mesmo as indefinições sobre o maior programa habitacional do país, o Minha Casa Minha Vida (MCMV), ameaçam os planos de expansão.

“Modificar radicalmente um programa exitoso como MCMV só se o cara for louco. Pode mudar o nome, algum parâmetro, talvez, mas a chance de ruptura é muito pequena e somos a empresa mais protegida do mercado, caso haja mudanças”, disse Menin em encontro com analistas e investidores, em São Paulo, no canteiro de obras do maior empreendimento já lançado pela MRV — o Gran Reserva Paulista, em Pirituba (Zona Oeste da capital paulista), com 7.300 unidades.

Para Menin, o MCMV é um programa “exitoso” por uma série de características, como a abrangência nacional, a geração de empregos e de tributos, além de oferecer imóveis a um valor à população de menor poder aquisitivo.

Diversificação

Mas a companhia não mira apenas o segmento de imóveis dentro do programa federal. Para isso, lançou recentemente uma linha que utiliza recursos do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Já foram feitos dois lançamentos, um em Salvador e outro em Belo Horizonte. Ontem, o Santander confirmou que será parceiro da MRV nessa modalidade de financiamento.

“Estou otimista tanto com esse segmento quanto com o MCMV. É possível que a participação do SBPE nos negócios da MRV chegue a 25% nos próximos três a quatro anos”, prevê Fischer. Segundo Menin, esse tipo de estratégia vai blindar a companhia. “A MRV é a empresa mais protegida pela diversificação. Se tiver alguma mudança no MCMV, a única empresa capaz de manter crescimento somos nós.”

"Software para seleção de profissionais vai mostrar se os candidatos a corretor têm o mesmo perfil que o daqueles com os melhores resultados", Eduardo Fischer, copresidente da MRV (foto: Divulgação)

Realidade virtual

Além do posicionamento em mais um segmento, a companhia também tem cuidado da redução das despesas. A tecnologia tem sido uma ferramenta importante nesse processo, conta Rodrigo Resende, diretor de marketing e vendas da MRV. Neste ano, a construtora passou a investir em realidade virtual para substituir os tradicionais apartamentos-modelo que são montados na época do lançamento de um empreendimento — que custam caro e, de tempos em tempos, têm de ser recuperados para continuar com uma aparência atraente.

“Neste primeiro ano já tivemos uma economia de R$ 5 milhões com a troca do apartamento-modelo pela realidade virtual”, conta Resende. Foi contratada uma empresa dos Estados Unidos que desenvolveu uma série de recursos para que o software faça cerca de 800 combinações a partir das informações fornecidas pelo cliente.

O interessado no imóvel coloca os óculos 3D e vê no tour virtual suas características e preferências, como cores, acabamentos ou quartos para filhos. É possível acrescentar até um animal de estimação ao passeio pela residência. Isso tudo sem ter de investir na construção de um apartamento, na mobília e na decoração, que mais tarde serão descartados ou vendidos por um valor bem abaixo do que foi pago.

A nova tecnologia permite ao possível comprador personalizar e ver por meio da realidade virtual até mesmo o acabamento do imóvel, que poderá ser incluído na assinatura do contrato.

Inteligência artificial

Outra ajuda da tecnologia para a diluição de gastos começou a ser implantada na área de seleção de corretores. Fischer lembra que o desempenho desses profissionais é muito diferente, com “uns vendendo muito, outros vendendo pouco”. Um software de Inteligência Artificial (AI), desenvolvido por uma startup israelense, foi comprado pela MRV para analisar as características dos melhores corretores e, assim, chegar a um padrão desses profissionais.

“Estamos começando a usar essa tecnologia agora. Isso vai permitir que sejamos mais assertivos na seleção desses profissionais, porque o software já vai mostrar se eles têm o mesmo perfil, a partir de determinados dados, que o daqueles com os melhores resultados”, explica o copresidente.

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