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Correio Braziliense

Inflação desacelera com a redução da energia elétrica e dos combustíveis

IPCA tem deflação de 0,21% e atinge o menor nível desde 1994. Queda nos valores da energia elétrica e da gasolina contribuíram para aliviar o bolso do consumidor. Expectativa é de que carestia se mantenha controlada em 2019


postado em 08/12/2018 07:00

O motorista Ronaldo José Jeremias conseguiu economizar R$ 60 com o combustível mais barato(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O motorista Ronaldo José Jeremias conseguiu economizar R$ 60 com o combustível mais barato (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

O penúltimo resultado da inflação oficial de 2018 dá fortes sinais de que a taxa deve se manter comportada no primeiro ano do presidente eleito, Jair Bolsonaro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) registrou deflação — queda nos valores dos produtos e serviços — de 0,21% em novembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). É a menor percentagem desde 1994, quando o Plano Real foi criado. Com o resultado, o indicador ficará bem abaixo do centro da meta de 4,5% até o fim do ano. As apostas dos economistas variam entre 3,5% e 3,9%. No acumulado de 12 meses, está em 4,05%.

A inflação baixa é explicada pela atividade ainda fraca. Mesmo com a taxa Selic no menor nível da história — em 6,5% ao ano —, a economia tem dificuldade de engatar uma retomada mais forte. O consumo das famílias e os investimentos dos empresários ainda estão retidos. Os preços administrados, que são aqueles preestabelecidos em contratos ou definidos pelos governos, deram uma trégua em novembro.

São exemplos a energia elétrica e a gasolina, que foram vilões dos consumidores no decorrer no ano. No último mês, a conta de luz foi a responsável pelo maior impacto negativo no índice, com queda de 4,04% nos preços cobrados. Houve mudança na bandeira tarifária, saindo do patamar dois da bandeira vermelha para a amarela.

Além disso, os combustíveis contribuíram, caindo 0,74%. Só a gasolina registrou recuo de 3,07% no mês. De acordo com o motorista Ronaldo José Jeremias, 47 anos, grande parte do alívio nas despesas de casa se deu por conta da diminuição do preço nos postos. “Estávamos pagando quase R$ 5 e, hoje em dia, encontro combustível por R$ 4,09. Consegui economizar cerca de R$ 60 só no mês de novembro”, afirmou.

No entanto, o motorista ainda reclama do valor da conta de energia, um dos itens que impulsionou a deflação em novembro. “A energia ainda está muito cara! Moramos eu e mais duas pessoas na minha casa e a conta passa dos R$ 100”, criticou. Para ele, a alternativa para aliviar o bolso é a adoção de novos hábitos. “Hoje já não ficamos em um ambiente e deixamos as luzes ligadas, e até o chuveiro deixamos de usar no modo inverno”, acrescentou Jeremias.

Controle


Para o engenheiro e economista Cesar de Castro, 66, a diminuição na conta de energia vai ser visível para o consumidor apenas nos próximos meses. “Ainda não consegui notar mudanças na minha conta de luz”, contou. Por enquanto, ele aposta em medidas de economia para não gastar além do necessário. “Em casa, passamos a usar apenas lâmpadas led, e em vez de termos duas televisões ligadas ao mesmo tempo, juntamos toda a família e assistimos a programação em uma só”, contou.

Apesar da queda no IPCA, o grupo de alimentos e bebidas subiu 0,39%, puxados pela cebola (24,45%), o tomate (22,25%) a batata-inglesa (14,69%) e as hortaliças (4,43%). Segundo o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Rosa, a inflação surpreendeu o mercado, vindo abaixo do esperado. “Os núcleos inflacionários mostram que o cenário inflacionário está controlado, mesmo com os efeitos sazonais. O resultado confirma a tendência de que a taxa ficará abaixo do centro da meta”, afirmou. O especialista projeta que o IPCA registrará deflação de 0,02% em dezembro, fechando 2018 com taxa de 3,57%.

Silvio Campos Neto, economista da Tendências Consultoria, prevê que o indicador marque 3,9% ao término do ano. Segundo ele, a inflação em 2019 vai depender do cenário de reformas e do contexto internacional. “Nós temos uma questão interna que é a capacidade de conseguirmos fazer as reformas necessárias, como a da Previdência. O cenário externo também parece ser mais desafiador, que também pode impactar o índice de preços, mas estamos com as expectativas ancoradas”, disse.

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