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Correio Braziliense

Guedes anuncia novos nomes de sua equipe; confira lista de secretários

Paulo Guedes definiu mais nomes de sua equipe. Waldery Rodrigues será o secretário de Fazenda. O ministro do Planejamento, Esteves Colnago, e o secretário-executivo da pasta, Gleisson Rubin, também integram a lista


postado em 08/12/2018 10:44 / atualizado em 08/12/2018 14:34

(foto: Sergio Lima/AFP)
(foto: Sergio Lima/AFP)

O futuro ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou, neste sábao, a escolha de mais seis nomes para compor a pasta: Marcelo Guaranys, para secretário-executivo; Waldery Rodrigues Júnior, para secretário-geral de Fazenda; Esteves Colnago, secretário-adjunto de Fazenda; Paulo Uebel, para secretário-geral de Desburocratização, Gestão e Governo Digital; Gleisson Cardoso Rubin, para secretário-geral adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital; e Carlos da Costa, para secretário Geral de Produtividade e Competitividade.

Guedes desistiu da intenção de juntar a Receita Federal e a Previdência Social em apenas uma secretaria. Tudo indica que o economista Marcos Cintra, que atua na equipe de transição do presidente eleito, Jair Bolsonaro, ocupe o Fisco; e o deputado federal Rogério Marinho (PSDB-RN) — que foi relator da reforma trabalhista — a Secretaria de Previdência.

 

O parlamentar não foi reeleito, mas cuidará da articulação direta da equipe econômica com o Congresso Nacional. O economista-chefe da Nova Futura, Pedro Paulo Silveira, vê a possível indicação com bons olhos. “É uma mudança que agiliza o diálogo com os deputados. Ter essa comunicação ajuda a não deixar os projetos ficarem só dentro dos gabinetes. É importante esse trânsito maior”, ressaltou.

 

O tucano também deve ficar responsável pela parte do Ministério do Trabalho que vai para a pasta da Economia. Deve se chamar Secretaria de Previdência e Trabalho. As informações foram antecipada pelo portal Poder360 e confirmadas pelo Correio. Antes, o futuro ministro trabalhava com a possibilidade de dar o cargo para o consultor da Câmara dos Deputados Leonardo Rolim. Assim, a pasta deve ter ao menos 10 assessores diretos (veja todos os nomes abaixo).

 

Guedes monta time liberal

 

O time é considerado liberal, mas precisa provar que entende da máquina pública, segundo especialistas. Segundo a economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, todos os nomes apresentados terão a grande tarefa de botar a economia nos eixos. “Eu acho que todos serão superdemandados, cada qual por seu público de interesse. Se destacará quem conseguir fazer andar a sua agenda. Eu diria que cada um desses nomes terá oportunidade de mostrar um excelente trabalho, mas eles terão que trabalhar com as restrições políticas que existem no Brasil”, apontou.

 

Na interpretação dela, não basta ter boas ideias e pessoal técnico, é preciso também articulação política bem-feita para concretizar as medidas. “A equipe de Guedes agradou, uma vez que manteve o viés liberal da atual equipe econômica. Esses ministérios foram formados de forma completamente diferente da nossa experiência prévia. O mercado vai testar nos próximos meses se esse projeto vai dar certo ou não”, afirmou Solange.

 

Expectativa de privatizações

A grande expectativa do mercado é de que a nova equipe consiga implementar as reformas necessárias, como a da Previdência e tributária, além da agenda de privatizações. Segundo analistas, a recente alta do dólar deve se inverter, no próximo ano, caso Paulo Guedes consiga atrair capital externo. O analista Glauco Legat, da Spinelli, ressaltou que o time agrada, mas demonstrou receio, com o futuro ministro de Minas Energia, o almirante Bento Costa Lima Leite de Albuquerque Junior, que terá de participar do processo de privatização da Eletrobras. “Pelo fato de ser das Forças Armadas, e o histórico estatizante do regime militar, a primeira impressão é de pode criar resistências. Mas essa é uma visão inicial que pode não se concretizar”, alegou.

 

O economista Silvio Campos Neto, da Tendências Consultoria, disse que há um quadro indefinido de como será a reforma da Previdência. “Ainda não houve apresentação de um modelo. Fatiar a reforma, conforme cogita o presidente eleito, não é uma boa opção, mas como as declarações não vieram da equipe econômica, o mercado não criou grandes movimentos de crítica”, disse.

 

Solange Srour afirmou que é muito difícil avançar em uma reforma tributária ampla rapidamente. “Acho mais viável fazer algumas minirreformas nessa área que gere menos burocracia, evasão e guerra fiscal. Isso sim é possível. Nosso sistema tributário é muito complexo e o tema ainda não foi suficiente discutido nos últimos anos, a fim de se criar um mínimo consenso na área”, avaliou.


A equipe de Paulo Guedes

 

Marcelo Guaranys - secretário executivo

É advogado e economista, com ampla passagem por cargos públicos. Foi analista da Secretaria do Tesouro, do Ministério da Fazenda, e presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Atualmente, é sub-chefe de Análise e Acompanhamento de Políticas Governamentais da Casa Civil.

 

Waldery Rodrigues Júnior - secretário-geral da Fazenda

Homem de confiança de Paulo Guedes, é graduado em engenharia pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica, com doutorado em economia pela Universidade de Brasília (UnB). Economista sênior do Ipea, atualmente é coordenador-geral na Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda.

 

Carlos Alexandre da Costa - secretário-geral de Produtividade e Competitividade

Foi diretor de Planejamento, Crédito e Tecnologia do BNDES, presidiu o Instituto de Performance e Liderança, foi executivo residente no JP Morgan e sócio-diretor do Ibmec Educacional, onde fundou e dirigiu a Faculdade em São Paulo. Fez economia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

 

Esteves Colnago - secretário-geral adjunto da Fazenda

É o atual ministro do Planejamento. Deverá ficar subordinado ao economista Waldery Rodrigues Júnior. Colnago é mestre em Ciências Econômicas pela Universidade de Brasília (UnB). Também desempenhou funções no Banco Central e no Tesouro Nacional.

 

Paulo Uebel - secretário-geral de Desburocratização, Gestão e Governo Digital
É advogado e foi secretário de Gestão de João Doria em São Paulo. Ele é especialista em direito tributário e financeiro. Foi executivo da empresa de relações públicas (Lide) e dirigiu institutos como Millenium, Liberal e o Instituto de Estudos Empresariais.

 

Gleisson Cardoso Rubin - secretário-geral adjunto de Desburocratização, Gestão e Governo Digital

Ocupa a secretaria de Gestão do Ministério do Planejamento. Na hierarquia, ficará abaixo de Paulo Uebel. Rubin é integrante da carreira de especialista em políticas públicas e gestão governamental (EPPGG).

  

Marcos Cintra - secretário da Receita Federal

Professor da Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (EAESP/FGV), idealizou o “imposto único”, que substituiria a substituição de todos os tributos por apenas um no Brasil. Tem doutorado em economia pela Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

 

Rogério Marinho - secretário de Previdência e Trabalho

Deputado federal não reeleito pelo PSDB no Rio Grande do Norte. Ficará responsável por coordenar as negociações da equipe econômica com o Congresso Nacional. A nomeação dele pode gerar desgaste.

 

Marcos Troyjo - secretário de Comércio Exterior

É graduado em ciência política e economia pela Universidade de São Paulo (USP), onde fez doutorado em sociologia das relações internacionais. É integrante do Conselho Consultivo do Fórum Econômico Mundial.

 

Salim Mattar - secretário de Privatizações

Fundador e presidente do conselho da Localiza, maior empresa de locação de veículos da América Latina. Formado em administração de empresas e conselheiro do Instituto Millenium.

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