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Correio Braziliense

No fim da primeira semana de 2019, bolsa bate novo recorde

Declarações de Bolsonaro sobre reforma mais branda da Previdência são recebidas com reserva por investidores, mas confiança prevalece: Bolsa de Valores bate novo recorde e dólar recua a R$ 3,72


postado em 05/01/2019 07:00

Acordo entre as duas fabricantes de aeronaves está ameaçado de novo revés. Em entrevista, Bolsonaro questionou os termos da negociação(foto: Eric Piermont/AFP - 21/12/17 )
Acordo entre as duas fabricantes de aeronaves está ameaçado de novo revés. Em entrevista, Bolsonaro questionou os termos da negociação (foto: Eric Piermont/AFP - 21/12/17 )

Apesar de o dólar e a Bolsa de Valores de São Paulo (B3) terem encerrado a sessão de ontem com resultados positivos, os investidores não viram com bons olhos as declarações do presidente Jair Bolsonaro a respeito da reforma da Previdência. O pregão alcançou um novo recorde, com o Ibovespa alcançando 91.945 pontos fechando em alta de 0,30%. Já o dólar comercial, que teve nesta semana a maior queda para o período em três meses, fechou cotado a R$ 3,72, apresentando queda de 1,09% no dia.

Para o economista e consultor Demetrius Lucindo, o que explica a retração da moeda americana é a confiança na linha liberal do novo governo. Porém, ao admitir mudanças menos profundas no sistema de aposentadoria, Bolsonaro refreou o otimismo do mercado, o que pode levar o dólar e a bolsa a se estabilizarem nos patamares atuais. “É tudo muito prematuro, temos que acompanhar o que vai acontecer”, observou.

Os investidores temem que, diante dos obstáculos políticos, o governo acabe adotando medidas insuficientes para enfrentar os problemas fiscais do país. O presidente defendeu a idade mínima para aposentadoria de 62 anos para os homens e de 57 anos para as mulheres. Para Tiago Mori, assessor da Eixo Investimentos, “os investidores estão esperando uma reforma mais agressiva e, quando eles viram um discurso mais tênue, ficaram receosos”.

Em entrevista a jornalistas após a troca do Comando da Força Aérea Brasileira (FAB), Bolsonaro disse ainda que haveria aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), mas o secretário Especial da Receita, Marcos Cintra, corrigiu o Presidente. Para Tiago Mori, o vaivém do governo Bolsonaro não deve gerar grande impacto no mercado, embora tenda a reduzir a confiança dos investidores.

De acordo com o especialista, o investidor está testando os novos índices do pregão brasileiro. “A Bolsa está em um patamar em que nunca esteve, e isso é devido ao discurso liberal do governo, o que é positivo”, disse Mori. Para ele, é interessante observar que as bolsas norte-americanas estão mais retraídas, mas esse pessimismo não está atingindo as ações brasileiras. 

Para o economista, é imprescindível acompanhar as próximas decisões que serão tomadas pelo novo governo. “Os 100 primeiros dias são de lua de mel, e o governo consegue cumprir com algumas promessas. Se, depois disso, o mercado perceber que os compromissos não estão sendo cumpridos, haverá redução das apostas”, assinalou.   

* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo

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