Publicidade

Correio Braziliense

Depois da polêmica, Bolsonaro adota tom conciliador com a equipe econômica

Na sexta-feira, Guedes cancelou a agenda na última hora em meio à repercussão sobre declarações do novo presidente sobre um suposto aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF)


postado em 08/01/2019 06:00

(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

Após os desencontros da última sexta-feira, quando chegou a anunciar mudanças tributárias, mas foi corrigido pela equipe econômica, o presidente Jair Bolsonaro adotou ontem um tom apaziguador e procurou ressaltar a confiança e a boa relação que tem com o ministro da economia, Paulo Guedes. Em discurso durante a cerimônia de posse dos novos presidentes de bancos oficiais, ontem, no Palácio do Planalto, Bolsonaro assumiu, novamente, que não domina assuntos de economia e destacou o respeito mútuo que existe entre eles. O chefe do Executivo até brincou que ambos mantêm um namoro, “no bom sentido” da história.

“Com toda a certeza, o evento está bastante concorrido, porque são os homens do dinheiro que estão aqui. Só que, desta vez, é o dinheiro do bem”, disse o presidente na solenidade. “Eu quero, primeiro, agradecer ao senhor Paulo Guedes, que acreditou em mim, e eu disse para ele: ‘Eu acredito no senhor’. Ele já me disse que podia chamá-lo de ‘você’, mas a nossa formação não permite isso. Eu, na Academia Militar das Agulhas Negras, e ele, no Colégio Militar”, disse Bolsonaro, no início do discurso. O novo presidente afirmou ainda que, a partir daquele momento, nasceu uma amizade entre os dois.

“O desconhecimento meu ou dos senhores em muitas áreas, e a aceitação disso, é um sinal de humildade. Tenho certeza, sem qualquer demérito, que eu conheço um pouco mais de política que o Paulo Guedes. E ele conhece muito, mas muito mais de economia do que eu. Então, partindo desse princípio, do respeito acima de tudo, começamos a namorar, no bom sentido”, completou.

Na sexta-feira, Guedes cancelou a agenda na última hora em meio à repercussão sobre declarações do novo presidente sobre um suposto aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e diminuição de alíquotas do Imposto de Renda. A informação foi desmentida, horas depois, pelo secretário da Receita Federal, Marcos Cintra.  No fim do dia, o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, assumiu que Bolsonaro havia se “equivocado” e desconversou sobre eventuais rusgas entre as autoridades.

Na manhã de ontem, Lorenzoni e Guedes almoçaram juntos para aparar as arestas. O general Augusto Heleno, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, também colocou panos quentes sobre os eventuais desentendimentos entre ambos. “Não teve rusga nenhuma, nem rusga, nem carrinho por trás, nem tesoura voadora, não teve nada. Hoje (segunda-feira) de manhã, se encontraram aí, best friends (melhores amigos), não tem essa história”, disse Heleno.

Volta do PT


Ainda durante o discurso, Bolsonaro voltou a responsabilizar o governo do PT pelo quadro de dificuldades no qual vive o país. O presidente reforçou que não pode errar na área econômica, ou o PT  voltaria ao poder. “Começamos a viver dias melhores. Não podemos errar. Se errarmos os senhores sabem quem poderá voltar”, disse. O presidente destacou que, em busca de fortalecer a capacidade de seu governo, deu total autonomia para ministros e presidentes dos bancos públicos escolherem os integrantes das equipes. “O ministro Guedes e os demais ministros do meu governo tiveram a liberdade de escolher o primeiro escalão, sem a interferência política”, garantiu.

Paulo Guedes, por sua vez, ressaltou a importância da independência dada pelo presidente, e afirmou que Bolsonaro pensa não apenas no momento, mas nos próximos anos do país. “O presidente é um democrata íntegro e sincero. Aqui posso falar mais, porque não quero fazer puxa-saquismo. Ele tem qualidade, não tem medo de encarar os desafios”, afirmou.

Entretanto, contrariou Bolsonaro, ao dizer, na solenidade, que a equipe dele pode, sim, errar. “Nosso time pode errar, mas tentei me cercar de pessoas que conhecem bem os fundamentos, com vasta experiência. Antes, cada grupo pegava um pedaço do governo e, agora, nosso grupo está preocupado com o que cada um pode dar ao Brasil”, comparou.


Formalidade


O ritual da cerimônia de posse no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Jair Bolsonaro, foi marcado pela formalidade, com agradecimentos nominais feitos pelos empossados antes de dar início aos discursos. Entretanto, as solenidades de transmissão de cargo nas sedes dos bancos logo depois, à tarde, foram menos protocolares. Os cerimonialistas anunciaram, antes dos pronunciamentos, quem estava presente, e cada um dos novos presidentes — tanto da Caixa Econômica Federal quanto do Banco do Brasil — ficaram mais livres para fazer os agradecimentos.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade