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Correio Braziliense

Tribunal japonês nega pedido de liberdade para Carlos Ghosn

O juiz negou argumentando o risco de fuga do acusado e a possibilidade de alteração de provas


postado em 09/01/2019 10:36 / atualizado em 09/01/2019 10:45

O advogado de Ghosn, Motonari Otsuru, acredita que seu cliente ficará detido até o julgamento(foto: Eric Piermont/AFP)
O advogado de Ghosn, Motonari Otsuru, acredita que seu cliente ficará detido até o julgamento (foto: Eric Piermont/AFP)

 
Tokyo, Japão - O tribunal de Tóquio negou, nesta quarta-feira (9/1), um pedido de soltura para o presidente da Renault, Carlos Ghosn, um dia depois de seu primeiro comparecimento perante a Justiça japonesa.

Os advogados do empresário apresentaram na terça-feira um recurso para obter sua liberdade, mas o juiz negou, argumentando o risco de fuga do acusado e a possibilidade de alteração de provas.

"O pedido para anular a detenção foi rejeitado em 9 de janeiro", anunciou o tribunal de Tóquio em um comunicado.

O advogado de Ghosn, Motonari Otsuru, acredita que seu cliente ficará detido até o julgamento, o que pode acontecer dentro de alguns meses.

Ontem, Ghosn declarou que foi "falsamente acusado e injustamente detido".

Em seu primeiro depoimento desde que foi detido por suspeita de fraude financeira, o magnata do setor automotivo, de 64 anos, afirmou que agiu com "honra, legalmente e com o conhecimento e a aprovação dos diretores da Nissan".

Recordou que "dedicou duas décadas de sua vida para reerguer" a montadora japonesa e disse que foi "acusado falsamente e detido de maneira injusta".

No dia 10 de dezembro, o empresário franco-brasileiro-libanês foi acusado de sonegar 5 bilhões de ienes (44 milhões de dólares) em renda entre 2010 e 2015.

Ghosn também é suspeito de sonegação de renda entre 2015 e 2018, de abuso de confiança, assim como de desviar dinheiro de uma conta da Nissan para um amigo saudita.

Ele nega todas as acusações.

Decorrente da rigidez do sistema judiciário japonês, a duração de sua prisão surpreende os estrangeiros.

Diante da avalanche de acusações, a Renault optou por permanecer discreta e manter sua confiança em Carlos Ghosn, enquanto a Nissan e a Mitsubishi Motors rapidamente o retiraram da presidência do conselho de administração.

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