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Correio Braziliense

Joice diz que governo conta com 320 votos favoráveis à Previdência

Após encontro com presidente Jair Bolsonaro, parlamentar do PSL destaca que a prioridade do governo, nos primeiros seis meses, será a agenda econômica. "Sem aprovar a Previdência, o Brasil quebra", afirma


postado em 09/01/2019 18:20

(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Arthur Menescal/Esp. CB/D.A Press)
A deputada federal eleita Joice Hasselmann (PSL-SP) levantou a bandeira da reforma da Previdência após o encontro com o presidente Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, nesta quarta-feira (09/01). Segundo ela, a conversa durou mais de uma hora. “Rimos bastante, relembramos época da campanha e falamos da agenda econômica que é a grande preocupação de fato de governo e da base aliada, que está na fase do fechamento de construção, e conseguir aprovar a reforma da Previdência sem fôlego. É chegar, e aprovar”, afirmou. Ela contou que o texto inda não foi concluído, mas o apoio para a proposta tem cerca de 320 parlamentares. 

“O Onyx  (Lorenzoni, ministro-chefe da Casa Civil) está fazendo isso (a contagem dos votos), mas, hoje, temos  fechados conosco, 320 parlamentares”, garantiu. Para ser aprovada em dois turnos na Câmara uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC), como a da Previdência, precisa de, no mínimo, 345 votos. A tramitação da proposta  do novo governo ainda não está definida pelo presidente, segundo Joice, mas ela demonstrou preocupação com o avanço da agenda econômica e reafirmou que a prioridade é a reforma do sistema de aposentadorias com o objetivo de equilibrar as contas da União e também dos estados.

“Os primeiros seis meses do governo serão de agenda econômica. A gente tem quatro anos para fazer o ajeitamento que o país precisa”, disse Joice, depois de deixar o gabinete de Bolsonaro. Ela contou que amanhã, retorna ao Planalto, às 11h, com o governador de São Paulo, João Dória Jr. (PSDB), para conversar com o presidente. “O tema do encontro será reforma da Previdência e agenda econômica. Os governadores estão alinhados e estão trabalhando para a aprovação da reforma por uma questão simples. Sem ela não for aprovada, o Brasil quebra”, disse.

Proposta

De acordo com Joice, o presidente sinalizou tratamento diferenciado na reforma entre civis e militares na proposta da reforma da Previdência. Ela ainda defendeu o combate às fraudes como medida para reduzir as despesas indevidas no sistema. “O regime de trabalho dos militares é muito diferente dos civis, não dá pra comparar coisas tão diferentes e está a disposição 24 horas por dia é natural que as forças policiais tenham um regime diferente daquele que está na CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Não vejo problema nenhum em ter a diferencial, e um dos focos é de fato entrar pesado no combate às fraudes”, disse ela, citando dados que o secretário especial de Previdência do Ministério da Economia, Rogério Marinho, levou mais cedo ao Planalto, de que até um terço do que custa a Previdência pode chegar a esse valor por conta das fraudes. “É uma estimativa que está sendo feita ainda. Vai ter um longo trabalho pela Medida Provisória (que deverá ser publicada na semana que vem)”, disse. Ela disse que viu o texto da MP e achou bem coerente e defendeu o fim do auxílio reclusão. “É para a família do preso, não para o preso, mas a sociedade de bem que tá de fora?”, questionou.

A parlamentar afirmou que a proposta da reforma da Previdência "cuidará daqueles que recebem menos". “Vamos fazer o contrário, o mais pobre vai ser preservado. Os militares têm um regime de trabalho diferenciado. O texto ainda está em construção. Não esse sabe se militares ficarão de fora. A reforma é humana, ele não quer pressionar o mais pobre, e está tendo cuidado com essa população. O regime de capitalização será aplicado para os novos que vão entrar ainda para a Previdência, não vai ser para os que ainda estão. Terá um modelo misto”, declarou. Ela contou que já está trabalhando nisso com outros parlamentares da base para que haja o convencimento da base dos que estão em cima do muro. 

“Como a reforma será apresentada com um texto solidário, vamos conseguir o apoio dos que não estão fechados na base”, destacou Joice. “Não tem imposição aqui, vamos convencer bancada por bancada. Eu to a disposição do partido e do governo. Entrei por um convite pessoal dele e sou leal até o fim. Duas coisas que não faço: não traio, nem falcatrua”, completou.

Eleição na Câmara

A deputada eleita reforçou que o partido “está fechado” para a reeleição do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Ninguém vai entrar no barco perdedor. O presidente Rodrigo Maia é comprometido com a agenda econômica do novo governo. E tendo esse comprometimento, isso nos dá segurança para seguirmos com o presidente”, afirmou.

Joice contou que se inscrevem em várias comissões da Câmara dos Deputados e pretende ser membro de várias comissões, inclusive, a de Educação e declarou ser contra o regime de cotas. “Me inscrevi nas principais comissões como suplente”, afirmou ela, elogiando a colega de partido, a deputada federal eleita Bia Kicis (PSL-DF) para a presidência da Comissão de Comissão e Justiça (CCJ) na próxima Legislatura. “É um nome excepcional. Agora é uma questão partidária”, disse ela, acrescentando ter lançado o nome de Bia para a CCJ.

Mourão

Ao ser questionada sobre a promoção do filho do vice-presidente, Hamilton Mourão, no Banco do Brasil, ela defendeu o perfil técnico de Antonio Mourão. “Ele (Antonio) ficou 18 anos com o mesmo salário em governos que não gostam muito da área técnica. Eles pesam na minha balança, será que ele não era perseguido antes? A mensagem tem que ser cobrado pelo vice, mas foi o presidente do BB que o nomeou. O presidente não pode se responsabilizar por isso”, defendeu. “O filho é qualificado”, completou.

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