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Correio Braziliense

Início da gestão Bolsonaro anima investidores e bolsa bate novo recorde

Sinalização de que reforma da Previdência será mais dura e redução da tensão internacional levam B3 aos 93.613 pontos. Dólar encerra o dia cotado a R$ 3,68


postado em 10/01/2019 06:00

Na Bolsa de Nova York, índices sobem pelo quarto pregão consecutivo com a indicação do Fed (foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP )
Na Bolsa de Nova York, índices sobem pelo quarto pregão consecutivo com a indicação do Fed (foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP )


Mais um dia de otimismo levou o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), a subir fortemente e renovar a máxima histórica, atingindo 93.613 pontos, após alta de 1,72%. O resultado foi impactado principalmente pelo mercado doméstico e impulsionado pelo cenário internacional menos tenso entre China e Estados Unidos. A entrada de recursos estrangeiros no Brasil fez com que o dólar caísse e terminasse o dia abaixo de R$ 3,70. Segundo analistas, a continuidade do movimento benigno no país e no exterior podem levar a moeda para baixo de R$ 3,50 nos próximos dias.

O câmbio caiu 0,89%, aos R$ 3,68, que é o menor valor desde o fim de outubro. Os investidores estão mais confiantes de que a economia brasileira irá na direção do ajuste fiscal, após o ministro da Economia, Paulo Guedes, sinalizar que a reforma da Previdência será robusta — sem a necessidade de outra proposta em 20 anos. O mercado sabe que ainda há pouca definição e que não há garantias, mas existeum entendimento de que a equipe econômica está empenhada para reorganizar as contas públicas. Tanto é que o Credit Default Swaps (CDS, conhecido como “risco Brasil”) tombou para 177 pontos, tendo o melhor cenário desde abril de 2018.

No lado externo, as bolsas mundiais subiram sustentadas na expectativa favorável sobre as conversas comerciais para tentar amenizar os conflitos entre Estados Unidos e China. Os mercados da Europa e norte-americanos fecharam majoritariamente em alta. As duas nações divulgariam um comunicado internacional revelando os progressos realizados durante as negociações, que não foi publicado até o fim desta edição.

Contribuiu também para os ativos brasileiros e a desvalorização do dólar as declarações do presidente da distrital do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) em St. Louis, James Bullard, que afirmou que o país pode entrar em recessão se a autoridade monetária der continuidade na alta de juros nos Estados Unidos.

O presidente Jair Bolsonaro usou o Twitter para comemorar o pregão de ontem: “A Bolsa de Valores atingiu mais uma máxima histórica. O cenário mundial somou-se ao otimismo no Brasil com o novo governo”, escreveu. “Com saúde fiscal e liberdade econômica, vamos resgatar a confiança em nosso país”, completou.

Na última semana, Bolsonaro havia, porém, gerado um mal-estar entre os investidores ao citar uma proposta mais branda de reforma da Previdência, com idades mínimas menores que o texto do ex-presidente Michel Temer. Guedes puxou a responsabilidade e alertou ao mercado que haverá uma medida mais dura, nos moldes de como os agentes esperam. O economista Luiz Fernando Roxo afirmou que a iniciativa deu certo. “Subimos mais porque há um fator doméstico mais favorável. Antes, o mercado internacional estava atrapalhando o crescimento. Hoje, com o cenário melhor no mundo, ajudou a subir”, explicou.

Roxo comemorou o dólar também abaixo de R$ 3,70. Segundo ele, caso haja trégua nas tensões e menos subida de juros no mercado externo, o Brasil poderá conviver com uma moeda mais valorizada. “Nós poderemos ter um câmbio abaixo de R$ 3,50 num cenário próximo sem nenhuma surpresa”, apontou.

O economista-chefe da DMI Group, Daniel Xavier, ressaltou que o componente doméstico tem ditado os últimos movimentos de mercado e deve continuar com os novos anúncios da equipe econômica. “O mercado sempre se ajusta em termos de expectativas. O que nós temos hoje de material, nada. Não há uma proposta efetiva. São sinalizações de que haverá mudanças”, disse.

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