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Correio Braziliense

Agência virtual da Secretaria de Trabalho oferece 157 vagas no DF

Ao todo, no DF, existem 300 mil desocupados e, com a mudança de governo, a esperança de conseguir uma vaga cresce. Agência virtual, da Secretaria do Trabalho, ajuda na procura, mas especialista alerta que ajuste fiscal pode atrapalhar a retomada


postado em 10/01/2019 06:00 / atualizado em 10/01/2019 00:37

Alan Dutra busca emprego para ajudar em casa e retornar à faculdade (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )
Alan Dutra busca emprego para ajudar em casa e retornar à faculdade (foto: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press )


Com mais de 300 mil desempregados no Distrito Federal a busca de uma oportunidade com carteira assinada não é tarefa fácil. Por isso, é importante ficar atento a todas as possibilidades. Ontem, na Agência Virtual, ligada a Secretaria do Trabalho do DF, existiam 157 vagas para todos os níveis de escolaridade (veja quadro) em 20 atividades diferentes. A maioria para consultor de vendas, 100. Os salários variavam do mínimo, que neste mês foi corrigido para R$ 998 a R$ 2.753.

A mudança de governo que fez com que o nível de confiança dos empresários subisse na virada do ano, entretanto, ainda não se refletiu em investimento e novas vagas formais. Priscila Moângela, 24 anos, perdeu o emprego de operadora de caixa em uma farmácia há dois anos. Durante o tempo parada, não desistiu de tentar uma colocação no mercado. “Por causa da crise, fui demitida. Quase todo mês, entrego currículos para tentar voltar a trabalhar sem sucesso”, lamentou.

Mesmo demonstrando cautela, depois de tanto tempo de procura, Priscila tem esperança no futuro. “Claro que acho que pode haver uma melhora econômica, mas não 100%. Pelas propostas feitas pelo novo presidente (Jair Bolsonaro) durante a campanha, espero conseguir algum emprego em breve”, disse.

Alan Dutra, 24, saiu da corretora de seguros onde trabalhava em julho passado. Formado em design de interiores, fazia outra faculdade, de arquitetura, quando, pela perda do emprego, ficou sem condições de bancar as mensalidades. “Eu trabalhava como assistente pessoal da diretora, mas o corte de funcionários priorizou quem estava a menos tempo na empresa, como eu”, explicou.

Desde aquele mês, entrega currículos em diversos locais, mas não recebe nenhum tipo de retorno. Em casa, a situação financeira não está fácil, pois além dele, o pai, que é trabalhador rural, também está desempregado. A mãe é diarista, mas não trabalha todos os dias. O jeito é incrementar a renda com bicos. O sonho dele é voltar ao mercado de trabalho para conseguir retomar a faculdade.

Carlos Alberto Ramos, economista e professor da Universidade de Brasília (UnB), alerta, no entanto, que a situação na capital pode não ser tão simples e rápida de resolver. “Em Brasília, há problemas particulares. Além da alta taxa de desemprego, existe um processo migratório muito forte, principalmente da região Nordeste, que aumenta a demanda”, observou. Nacionalmente, no entanto,  ele acredita que, a princípio, haverá uma recuperação do emprego, alocada às reformas econômicas. “Deve haver um aumento do emprego formal, mas não muito acentuado.”

Segundo Ramos, um dos maiores atrativos do DF para migrantes é a renda per capita da população. “Isso estimula a vinda, principalmente de nordestinos em busca de oportunidade na capital. No entanto, a recuperação econômica não será uniforme”. Na opinião do economista, o ajuste dos gastos públicos prometido, tanto pelo governo federal quanto local, deve elevar a taxa de desemprego em Brasília.

Destaques

O secretário de Trabalho do DF, João Pedro Ferraz, discorda da análise e está otimista. “Percebe-se, mesmo que de forma discreta, uma movimentação positiva na oferta de vagas. O mercado reflete um conjunto de ações articuladas com foco no desenvolvimento econômico e consequente geração de novos postos de trabalho”, afirmou.

Fábio Bentes, economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviço e Turismo (CNC), aposta que, com a nova agenda econômica traçada pelo governo de Jair Bolsonaro, alguns setores se destacarão no mercado de trabalho em 2019. “O pontapé inicial da equipe econômica tem a preocupação de destravar e reativar o investimento, algo maior do que fomentar o consumo. Assim, mesmo sabendo que o setor de serviços é, historicamente, o grande empregador, a perspectiva, em termos relativos, é de haver um avanço no setor industrial, além da agropecuária”, afirmou.

Segundo ele, o país pode chegar até a apresentar a criação, em 2019, de 1,2 milhão de postos de trabalho. Bentes destaca que, no setor industrial, construção civil e automobilística, assim como o setor agropecuário, devem ter protagonismo neste ano. “Economicamente, os setores agropecuário e industrial são exportadores e, do ponto de vista externo, o país, costurando acordos bilaterais, favorecerá ambos. O comércio pode até crescer neste ano, mas não deve chegar a ser beneficiado como outrora”, complementou.

* Estagiários sob supervisão de Rozane Oliveira

  • Fique atento
    De acordo com a Agência Virtual, existem 157 vagas de trabalho no DF

    Nível superior
    Cargos: assistente administrativo, auxiliar financeiro, supervisor da seção de serviços gerais e técnico de laboratório industrial.
    Salário: de R$ 2.000 a R$ 2.350

    Nível Médio
    Cargos: conferente de carga e descarga, gerente de loja e supermercado, consultor de vendas, oficial de serviços na manutenção de edificações, promotor de vendas, subgerente de restaurante, técnico eletricista, vendedor interno e vendedor pracista.
    Salário: R$ 954*  a R$ 2.753

    Nível Fundamental
    Cargos: açougueiro, jardineiro, manicure, operador de caixa e repositor de mercadorias.
    Salário: R$ 954*  a R$ 1.700

    Escolaridade não exigida
    Cargos: açougueiro, mecânico e soldador
    Salário: R$ 954* a R$ 1.400

    *Sem atualização do salário mínimo

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