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Correio Braziliense

Funcionários que passaram por processo seletivo são demitidos da ABDI

O caso deve chegar aos tribunais. Quem deixou os postos se ancora num caso ocorrido em 2017, quando a Justiça do Trabalho determinou que a demissão de um funcionário da ABDI fosse cancelada e ele reconduzido à vaga


postado em 12/01/2019 07:00 / atualizado em 12/01/2019 10:08

Luiz Augusto Ferreira nega motivação política nas dispensas(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press - 3/4/18)
Luiz Augusto Ferreira nega motivação política nas dispensas (foto: Arthur Menescal/Esp.CB/D.A. Press - 3/4/18)

A faxina no quadro de funcionários da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), ligada ao novo Ministério da Economia, levantou a suspeita de que a “despetização” estimulada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, tivesse chegado à agência. A demissão de três funcionários que passaram por processo seletivo deu musculatura aos rumores.

O presidente do órgão, Luiz Augusto Ferreira, garante, entretanto, que não existe cunho político nas dispensas, que se trata de uma “mudança de rumo”. Com o governo do presidente Jair Bolsonaro, o órgão estará focado na “digitalização da economia brasileira”. Os projetos que não se adéquem à temática serão extintos e os funcionários, dispensados. Outras mudanças devem ocorrer nas próximas semanas, já que o desenho final da ABDI deve ser concluído até meados de abril.

O imbróglio começou quando as demissões atingiram servidores concursados — lá, o vínculo empregatício é regido pela CLT —, enquanto servidores comissionados permaneceram nos cargos. O caso deve chegar aos tribunais. Quem deixou os postos se ancora num caso ocorrido em 2017, quando a Justiça do Trabalho determinou que a demissão de um funcionário da ABDI fosse cancelada e ele reconduzido à vaga. Nem mesmo a demissão de três funcionários de cargos em comissão estancou a crise.

Ficou o clima de caça às bruxas. “Não é somente uma alteração de projetos. Independentemente de eles mudarem o rumo, não se pode demitir os técnicos de alto nível. Nós somos generalistas e nos adequamos ao tema a ser tratado. Somos especialistas em indústria. Existe uma distorção neste jogo”, reclamou um funcionário que trabalhou no local por 14 anos e tocava um projeto que tem vigência até outubro deste ano.

Ferreira, que comanda a agência há dois anos e meio, descarta o critério político como motivação para as dispensas. “É natural que os projetos mudem. Os que não estão ligados a digitalização da economia serão descontinuados. O que foi cortado são propostas que efetivamente não abordam essa temática”, ponderou. 

A gestão dele comandou um enxugamento no órgão. Em 2015, a ABDI contava com 35 projetos. No ano passado, apenas 14. O principal argumento é otimização do uso dos recursos. Neste período também houve demissões. A agência integra o Sistema S e possui cerca de R$ 90 milhões por ano para desenvolver ações estratégicas para a política industrial brasileira.

Criada em 2004, como serviço social autônomo, a ABDI centralizou o Plano Brasil Maior, política  industrial do governo Dilma Rousseff. À época, colaborou com a produção de estudos e parâmetros estratégicos para aumentar a competitividade nacional. Atualmente, é a entidade que interage com representantes de diversos países, como Israel.

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