Economia

CMN muda regras e amplia recursos de financiamentos para produtores rurais

Conselho também retira restrições para os empréstimos rurais com recursos das LCAs, que deixam de ter limites nos volumes destinados para taxas diferenciadas

Rosana Hessel
postado em 31/01/2019 19:38
Conselho também retira restrições para os empréstimos rurais com recursos das LCAs, que deixam de ter limites nos volumes destinados para taxas diferenciadas
Em reunião ordinária realizada nesta quinta-feira (31/01), o Conselho Monetário Nacional (CMN), ajustou as regras do crédito rural para garantir R$ 6 bilhões em recursos adicionais para os pequenos e os médios produtores rurais. Essa medida cria uma obrigatoriedade para as instituições financeiras destinarem 1% dos depósitos à vista e 1,2% da poupança para empréstimos ao pequeno produtor e 0,6% da caderneta para o médio produtor.

A alocação desses recursos adicionais tem caráter temporário, com vigência entre 1 de fevereiro até 30 de junho deste ano, de acordo com Cláudio Filgueiras, chefe do Departamento de Regulação, Supervisão e Controle de Operações de Crédito Rural e do Proagro (Derop) do Banco Central (BC). ;Colocamos mais recursos neste ano para o pequeno e médio produtor porque a safra teve uma demanda muito grande. E para que tenha mais recursos para o final da safra colocou ampliamos a oferta neste semestre;, explicou. Segundo ele, entre junho e julho de 2018, a oferta de crédito para os produtores agrícolas cresceu 15,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, para R$ 113 bilhões. Desse montante, de 20% a 30% são destinados ao pequeno e médio produtor.

O Conselho também liberou novas condições de aplicação das Letras de Crédito Agrícola (LCAs), que são obrigadas a destinar 35% do valor das emissões para empréstimos a produtores rurais. A partir de amanhã (01/02) não há limites para taxas de juros dos financiamentos. Até hoje, as instituições eram obrigadas a financiar 40% dos 35% com taxas até 8,5% ao ano. Os empréstimos dos outros 60% podiam ter taxas livres. ;A instituição vai negociar com o produtor as taxas delas e isso vai dar mais fluidez e aumentar o volume de crédito das LCAs;, apostou Filgueiras. Segundo ele, em 2017, R$ 30 bilhões das emissões das LCAs foram destinados para o crédito agrícola e, atualmente, esse volume gira em torno de R$ 46 bilhões. ;O estoque total é na casa de R$ 150 bilhões;, disse o técnico do BC.

O CMN ainda adiou a entrada em vigor das novas sobre operações de crédito vinculadas a recebíveis de cartão de crédito, que passariam a valer a partir de amanhã. O novo prazo estipulado pelo BC ficou para 8 de abril deste ano. Segundo o BC, o adiamento ocorreu devido à dificuldade operacional para que os lojistas e operadores de cartão de crédito implementem os novos dispositivos para atender às normas, que são transitórias. A ideia é formalizar o registro dessas operações por meio de uma consulta que pública que foi encerrada recentemente e ainda não foi adaptada pelo órgão regulador.

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