Economia

'O país é exportador de peso, no duplo sentido', diz José Augusto de Castro

Presidente da AEB, aponta o Custo Brasil como o responsável por cerca de 30% de aumento dos custos nos produtos nacionais, e por conta disso, o país é menos competitivos

Rosana Hessel
postado em 05/02/2019 18:36
 -  (foto:  Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
- (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O presidente da AEB destacou que o país vem perdendo espaço no comércio global devido à falta de competitividade dos produtos nacionais
O Brasil, apesar de estar entre as 10 maiores economias do planeta não está entre as 10 maiores economias exportadoras. Está em 25; lugar. Essa é uma realidade do país que, na avaliação do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro, não é competitivo. ;Sempre digo que o Brasil é um país exportador de peso, no duplo sentido. De peso pesado, não em termos de importância;, lamentou Castro, nesta terça-feira (05/02), durante o seminário Correio Debate: Desafios da Economia em 2019;, realizado pelo Correio Braziliense.

O presidente da AEB reconheceu que a mudança do país passa pelas reformas estruturais da agenda econômica e também por um novo posicionamento do país no cenário internacional, com mais agilidade nos acordos bilaterais ;que tragam vantagens para o país;. ;Sem o dever de casa, a solução é rezar;, resumiu.

Castro destacou que as exportações brasileiras são puxadas pelas commodities, que possuem baixo valor agregado e que crescem mais em quantidade do que em valores. Ele fez um alerta que, apesar de o país ter registrado um superavit recorde de pouco mais de US$ 100 bilhões na balança comercial, o cenário mais adverso lá fora pode afetar as exportações nacionais de commodities.

Nos últimos anos o país não conseguiu acompanhar economias que tinham perfil semelhante na década de 1980 por conta da baixa competitividade, lembrou Castro. Ele apresentou dados que revelam que a participação de produtos manufaturados vem encolhendo na pauta exportadora do país. Esse percentual, que já chegou a 59,07% dos valores embarcados, em 2000, no ano passado, ficou em 36,1%, ;Em suma, tivemos uma perda muito grande da participação de produtos de maior valor agregado, que registraram um deficit de US$ 67,7 bilhões no ano passado (na balança comercial de produtos manufaturados). Nosso pesadelo está aqui;, explicou. Ele estima que, por conta desse deficit, algo em torno de ;3 milhões de empregos deixaram de ser gerados;.

O presidente da AEB reforçou que até para os Estados Unidos, um dos principais destinos dos itens manufaturados brasileiros, a participação desses produtos nas exportações desses itens estão encolhendo. ;O futuro do Brasil é o passado. Quero voltar ao passado, porque o presente é péssimo;, disse ele lembrando que os remédios são conhecidos e há uma expectativa positiva do setor em relação ao novo governo.


Custo Brasil



O presidente da AEB destacou que o país vem perdendo espaço no comércio global devido à falta de competitividade dos produtos nacionais, que são mais caros, em grande parte, devido ao famigerado Custo Brasil, que encarece as exportações nacionais, em média, 30%. Assim como os demais debatedores do seminário, Castro citou falta de previsibilidade, e a infraestrutura pouco desenvolvida para escoamento da produção, a burocracia, como alguns exemplos do peso dos custos de produção no país que deixam o país pouco competitivo.

Não à toa, Castro fez questão de afirmar que o número de empresas exportadoras não mudou nos últimos anos, nem durante a recessão do país entre 2015 e 2016. Naquele momento, se esperava que o país buscasse o mercado externo devido à retração do mercado interno, mas essa mudança não aconteceu. .;A cultura exportadora nós temos, mas não temos é competitividade. Se houvesse condições, todos estariam exportando. Na crise, na realidade, o país não voltou a exportar produtos manufaturados porque não tinha preço competitivo;, completou.
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