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Correio Braziliense

Ibovespa cai mais de 3% em dia tenebroso no mercado global

O principal índice da Bovespa operou em forte baixa nesta quarta-feira (06/02), acompanhando papéis das principais empresas que compõem o índice, além da tensão no cenário internacional


postado em 06/02/2019 19:33 / atualizado em 06/02/2019 20:38

(foto: Nelson Almeida/AFP)
(foto: Nelson Almeida/AFP)

O dia foi de mau humor generalizado no pregão doméstico. O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), encerrou a quarta-feira (6/02) em forte queda de 3,74%, aos 94.635 pontos. Os investidores acompanharam o desempenho dos papéis da Vale, empresa que sofreu novo revés em decorrência de uma decisão judicial, além da expectativa mantida acerca de eventuais novas notícias sobre a reforma da Previdência. Os analistas estiveram, também, acompanhando a conjuntura global, em meio ao discurso, na noite de terça-feira (5/02) de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, no Congresso norte-americano. O volume negociado, nesta quarta-feira, foi de R$ 17,2 bilhões.

Segundo Raphael Figueredo, sócio-analista da Eleven Financial Research, o desempenho do índice agravou-se após o anúncio de perda de licença para operação da Barragem de Laranjeira, por parte da Vale, situação que afetou, também, o desempenho de papéis de outros setores.

"A Vale, que tinha licença para operar a barragem de Laranjeiras, na mina de Brucutu, teve, hoje, essa operação cancelada. Isso gerou um colapso muito grande, aumentando a incerteza entre investidores, puxando outras ações”, analisou. Na visão dele, no entanto, o dia também esteve carregado pelo noticiário internacional. 

"O Banco Central australiano anunciou, em um comunicado após reunião, que não espera elevar os juros australianos, em decorrência do comportamento da inflação, que não correspondeu às expectativas iniciais. Essa reversão pegou de surpresa muitos fundos grandes, que estavam apostando na elevação. Para Figueredo, dados fracos em relação à indústria alemã também desapontaram investidores. “Isso gerou uma desvalorização do euro, pressionando o dólar. Foram movimentos suficientes para trazer esse princípio de aversão ao risco, por parte dos agentes globais, em escala mundial”, disse.

Álvaro Bandeira, economista-chefe da Modal Mais, disse que é natural uma intensa realização de lucros, após altas consecutivas nos negócios locais. “Houve uma alta acelerada por cinco dias, com o mercado batendo recorde atrás de recorde, atingindo novas marcas de fechamento. Ontem, no pregão, percebemos também queda nos papéis do ItaúUnibanco (-3,68%), Vale (-3,80%) e Petrobras (-2,03%). Essas três empresas, não à toa, constituem as três maiores ponderações da composição de carteira do Ibovespa, influenciando na queda”, completou. 

Ainda de acordo com o economista-chefe da Modal Mais, a incerteza, no cenário doméstico, em relação à reforma da Previdência, afetou o ímpeto ao risco entre investidores. “Não sabemos nada da reforma. Qual é a celeridade? Claro que temos algumas declarações, como a do Rodrigo Maia (presidente da Câmara dos Deputados), que disse que o texto pode passar em três semanas na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), mas isso é uma visão dele. Ainda faltam os votos necessários para a aprovação”, explicou. 

Com o forte peso do cenário internacional, o dólar norte-americano, no dia, avançou 1,04% em relação ao real, encerrando a sessão de negócios cotado a R$ 3,706 a venda, com a influência do peso do exterior, diante das falas de Trump, no Congresso, além da expectativa em torno da reforma da Previdência. Foi a maior valorização percentual desde 22 de janeiro. 
 
* Estagiário sob supervisão de Anderson Costolli 

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