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Correio Braziliense

Em Stanford, uma ponte do Brasil com o futuro

Estudantes brasileiros organizam conferência de tecnologia no câmpus da universidade que é berço da inovação nos Estados Unidos. Evento está marcado para 8 e 9 de abril


postado em 07/02/2019 06:00

 

São Paulo — Cinco anos depois de seu nascimento, a Brazil Conference, famosa conferência que reúne anualmente brasileiros na universidade americana Harvard, está ganhando um equivalente high tech na Costa Oeste dos Estados Unidos. A comunidade de estudantes brasileiros está organizando a primeira edição da Brazil at Silicon Valley no câmpus da Universidade Stanford, perto da cidade de São  Francisco.

Os apoiadores do projeto incluem pesos-pesados do universo empresarial brasileiro, como Jorge Paulo Lemann, homem mais rico do país e controlador de empresas como Heinz e a rede de fast food Burger King; Carlos Brito, CEO da AB Inbev; Luciano Huck, apresentador de TV e sócio de uma série de negócios; e Hugo Barra, vice-presidente de realidade virtual do Facebook. Eduardo Mufarej, ex-Tarpon e Somos Educação e fundador do Renova BR, está entre os conselheiros.

A primeira edição da conferência está programada para os próximos dias 8 e 9 de abril, logo após a realização da Brazil Conference. “Em termos de importância para o mundo, São Francisco é hoje a Florença do século 21”, afirma Rodrigo Xavier, ex-presidente do Merrill Lynch no Brasil e um dos organizadores do evento. “Tecnologia não deve ser encarada como um assunto complementar. Ela representa, na verdade, um novo jeito de pensar. Fico angustiado ao ver como o Brasil ainda não parece ter entendido o tamanho dessa mudança”.

O evento focará em edtechs (empresas iniciantes voltadas para a educação), healthtechs (startups da saúde) e govtechs (setor público). Segundo especialistas, o Brasil ainda tem um longo caminho para avançar nessas áreas de negócios.

Mas haverá também espaço para fintechs — um dos raros setores em que os brasileiros têm experiências positivas para mostrar. André Street, fundador da Stone, David Velez, CEO do Nubank, e Stelleo Tolda, que comanda o Mercado Livre no Brasil, estão entre os palestrantes que confirmaram presença.

A maior parte dos palestrantes, no entanto, será formada por estrangeiros. A lista inclui Doug Leone, sócio da Sequoia Capital — um dos maiores fundos de venture capital do mundo, que investiu em empresas como Google, Yahoo, Linkedin e Paypal quando ainda estavam em estágios iniciais. Micky Malta, fundador da Ribbit Capital, e Zac Bookman, CEO da plataforma OpenGov, também estão entre os nomes confirmados.

O elenco estrelado de participantes traduz a importância do evento. Para os jovens estudantes brasileiros, será uma oportunidade única de conhecer executivos que conseguiram transformar ideias criativas em negócios bem-sucedidos. Pesquisas mostram que esse é o maior desafio de quem pretende empreender. As pessoas costumam ter “insights” originais, mas sofrem para fazer disso um empreendimento viável.

Mais do que uma conferência, a ideia é criar um ecossistema que reduza as distâncias entre o Brasil e o Vale do Silício, trazendo temas, discussões e conexões que se apliquem à vida prática do país, evitando assim a armadilha de se encarar a tecnologia como um fim em si mesma.

“Nossa principal preocupação é garantir que o evento não seja apenas dois dias de inspiração, mas que de fato faça diferença na vida de empreendedores, investidores, empresários, acadêmicos e gestores públicos que concordam que inovação e tecnologia são fundamentais para o desenvolvimento do Brasil”, diz Ana Paula Pereira, copresidente do evento e estudante do mestrado em educação em Stanford.

A primeira edição da Brazil at Silicon Valley será aberta apenas para convidados (cerca de 400 pessoas). A Brazil Conference, que começou nesse modelo, hoje já vende ingressos aos interessados. “É um privilégio estar aqui”, diz Xavier. “Temos que dividir esta oportunidade.”

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