Publicidade

Correio Braziliense

CB.Poder: Wagner Parente defende a necessidade da reforma da Previdência

Especialista comentou sobre o caminho necessário para a retomada econômica no país


postado em 12/02/2019 17:55 / atualizado em 12/02/2019 18:52

Wagner Parente foi o entrevistado do CB.Poder desta terça-feira(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
Wagner Parente foi o entrevistado do CB.Poder desta terça-feira (foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

O conselheiro Wagner Parente, da BMJ, foi o entrevistado do porgrama CB.Poder, uma parceria do Correio Braziliense com a TV Brasília, desta terça-feira (12/2). Wagner falou sobre a necessidade da aprovação da reforma da Previdência, assim como sua importância para os investimentos no Brasil. 

Para o conselheiro, a aprovação da reforma é importante para dar viabilidade ao governo e trazer mais investimentos ao país. Segundo Wagner, o Brasil tem uma dívida pública muito alta, o que afasta os investidores. "O que está em jogo é a viabilidade do Estado brasileiro. Temos uma dívida sobre o PIB de quase 80%, que, se não for contida, coloca em risco a viabilidade dele. Então, quem vem de fora tem receio em investir", disse.

Da mesma forma, segundo o consultor, quanto mais rígida a reforma, mais dificuldade ela tem de aprovação, então, o ideal seria uma sintonia entre o eficaz e o politicamente possível. "Para Paulo Guedes, o ideal seria uma regra de transição rígida, o que agrada ao mercado e prejudica a tramitação no Congresso, então, ela precisa ser eficaz e possível", explicou. Por outro lado, para ele, em uma  reforma ideal tem de haver uma rigidez na regra de transição. “Tem que ter uma regra de transição não tão frouxa, e uma idade mínima que permita a economia do estado”. 

Da mesma forma, avalia Wagner, a reforma deve abranger a inclusão de grupos de expressão, como servidores públicos e militares. "O número de parlamentares servidores públicos é muito expressivo e, claro, eles vão ter pressão das bases para que votem contra essa matéria", destacou.

Segundo Wagner, assim como os servidores, não incluir os militares na reforma enfraquece a narrativa do governo de combate aos privilégios. "O regime jurídico da Previdência dos militares é diferente, mas, de fato, não incluí-los é fatal na tramitação do Congresso", explicou. 

Reformar a Previdência também é favorecer os investimentos no Brasil, avalia o conselheiro, que, segundo ele, há muito interesse de investimento, mas falta confiança jurídica. "O Brasil ainda paga um prêmio muito bom em relação aos concorrentes ao investimento. Por outro lado, ainda precisa ter um respeito aos contratos, assim como uma atenção às normas ambientais", disse. Para Wagner Parente, a preferência dos investidores é na área de infraestrutura, como o saneamento básico e a construção de rodovias e ferrovias. "Existe uma demanda enorme por infraestrutura, e não falta dinheiro, mas sim segurança política", disse.

Segundo o consultor, as chances de aprovação da reforma são mais altas no novo governo devido principalmente ao fortalecimento da legitimidade popular. Para ele, as eleições foram importantes para os eleitores se conscientizarem sobre o tamanho do deficit público que o Brasil está vivendo. "A legitimidade popular agora é mais forte. A própria eleição surgiu para esclarecer um pouco do problema que estamos", disse. 

Caso não haja aprovação, pode surgir um desinteresse do mercado na viabilidade do Estado. "Se até junho não for aprovada, acho muito difícil o mercado continuar acreditando na viabilidade do Estado", disse. Porém, não é apenas a reforma que resolve o problema fiscal, segundo o consultor, também tem que haver algumas modificações tributárias. "Algumas outras como a tributária, também precisa ser aprovada", destacou.

Sobre a aproximação do Brasil com Israel, Wagner disse que é importante estabelecer essas relações, mas que precisa haver cálculos para poder transferir a embaixada para Jerusálem. "Talvez, se essa avaliação for feita, dará tempo para o governo preparar uma proposta melhor e não prejudicar outros setores, principalmente o agro, que exporta muito para os países árabes", disse.

* Estagiária sob supervisão de Roberto Fonseca
 

Confira a entrevista na íntegra: 

 
 
 
 

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade