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Correio Braziliense

Apesar de a economia patinar, quatro maiores bancos lucram R$ 69 bilhões

Aumento da receita com serviços e aplicação de recursos próprios explicam resultado


postado em 15/02/2019 06:02 / atualizado em 15/02/2019 10:24

O espanhol Santander foi o que obteve o maior crescimento do resultado líquido no ano passado: 52%(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)
O espanhol Santander foi o que obteve o maior crescimento do resultado líquido no ano passado: 52% (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press)

Apesar do ritmo lento da economia, as quatro maiores instituições financeiras do Brasil, em conjunto, aumentaram os lucros em mais de 20% em 2018. Somando os ganhos de Santander, Itaú, Banco do Brasil e Bradesco, o montante alcançou R$ 69 bilhões. Entre os quatro bancos, o que registrou maior crescimento dos ganhos foi o Santander: 52%. Segundo a Economática, empresa especializada na análise de dados financeiros, foi o maior avanço individual obtido num ano desde 2006. 


O lucro do Banco do Brasil, que divulgou o balanço anual ontem, subiu de R$ 11,1 bilhões em 2017 para R$ 13,5 bilhões em 2018, aumentando 22,2%. Os ganhos do Bradesco passaram de R$ 14,7 bilhões para R$ 19,1 bilhões, alta de 30,2%. O Itaú, maior instituição financeira do país, foi o que teve o pior desempenho. O resultado passou de R$ 24 bilhões para R$ 25 bilhões, crescimento de 4,2%. O lucro do Santander saiu de R$ 8 bilhões para R$ 12,2 bilhões.

A Caixa Econômica só vai divulgar o balanço de 2018 em março. Todos os bancos, exceto a Caixa, possuem ações em negociação na Bolsa de Valores.

O aumento dos lucros se deveu, principalmente, ao crescimento da receita com serviços, como cobrança de tarifas, manutenção de conta-corrente e  anuidade de cartão de crédito. O faturamento do Santander com serviços cresceu 10,62%, atingindo R$ 17,3 bilhões.

O Itaú foi o banco que mais faturou com a cobrança de serviços — R$ 38,4 bilhões, valor 7,3% superior ao de 2017. Na mesma atividade, a receita do Banco do Brasil subiu 5,7% e a do Bradesco aumentou 5%.

Em nota, o Banco do Brasil, que é um banco público, explicou que intensificou a atuação em linhas de crédito mais “atraentes”, buscando mais eficácia em empréstimo pessoal, cartões e financiamento de veículos. Também investiu na transformação digital e na especialização do atendimento.

“Com isso, as receitas com tarifas cresceram 5,8% no ano e o aumento das despesas administrativas ficou bem abaixo da inflação”, diz a nota. As outras instituições não se pronunciaram até o fechamento desta edição.

Tesouraria

Eduardo Velho, analista da GO Associados, explicou que, apesar de, em alguns cenários, as operações dos bancos não condizerem com a situação do país, as instituições aplicam recursos próprios em operações rentáveis, como títulos públicos. “O mercado de tesourarias bancárias justifica esse resultado. Eles operam dinheiro próprio investindo com base em cenários fundamentados”, explicou.

Outra razão para os bons resultados dos bancos é a boa gestão das instituições e a queda da inadimplência no Brasil, segundo o especialista. Com a diminuição do quadro de endividamento no país, “a confiança deles melhora muito entre os investidores e as pessoas que precisam tomar crédito”, disse. 

Para Velho, os lucros do setor financeiro devem aumentar nos próximos anos. Ele avalia que, se a taxa básica de juros do país continuar no mesmo patamar ou ficar mais baixa, as pessoas voltarão a tomar crédito com mais frequência. “Na medida que os juros ficarem estáveis, a participação do crédito na receita vai aumentar; isso vai ser positivo para o país”, concluiu.

Cofre cheio

Lucro dos quatro principais bancos em 2018 ( R$ bilhões)

Instituição - 2017 - 2018 - Aumento (%)
Santander - 7,997 - 12,166 - 52,1

 

Itaú - 23,965 - 24,977 - 4,2

Banco do Brasil - 11,060 - 13,513 - 22,2

Bradesco - 14,659 - 19,085 - 30,2

 

* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo 

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