Economia

Italiana Terna inaugura linhão na região Sul e investe R$ 600 mi no país

Empresa de transmissão de energia tem dois projetos no Brasil: 158 km no Rio Grande do Sul para integrar 2 gigawatts de fonte eólica no sistema; e 355 km de eletroduto no Mato Grosso

Simone Kafruni
postado em 19/02/2019 13:03
companhia italiana Terna
A companhia italiana Terna inaugurou uma nova linha de transmissão de energia elétrica no Rio Grande do Sul e deve iniciar as operações de uma segunda estrutura ainda no primeiro semestre 2019 no Mato Grosso. Com os dois empreendimentos, a empresa está investindo R$ 600 milhões no país. Os executivos italianos anunciaram os projetos na manhã desta terça-feira (19.2) em um hotel, em Brasília. À tarde, têm reunião na Secretaria de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia (MME).

A linha de transmissão de alta tensão inaugurada oficialmente hoje por meio da subsidiária Santa Maria Transmissora de Energia tem 158 quilômetros (km) de extensão, ligando Santa Maria a Santo Angelo, e permitirá integrar por completo na rede brasileira 2 gigawatts de energia produzidos nos parques eólicos do Rio Grande do Sul.

O diretor executivo da Terna, Luigi Ferraris, destacou que o Brasil é um importante mercado para a companhia, onde começou a investir em 2000, com a aquisição de transmissora Nordeste-Sudeste. ;E vamos continuar investindo;, afirmou.

Conforme Claudio Marchiori, diretor executivo da Terna Plus, braço da companhia na América Latina, a empresa já era a segunda maior transmissora do país em 2009, com 3 mil km de linhas e oito concessões. Em 2017, arrematou mais duas concessões de linhões, que somam mais de 500 km.

Giovanni Cerchiarini, gerente da empresa no Brasil, ressaltou que, ainda no primeiro semestre, vão inaugurar a segunda linha, um eletroduto com 355 km de extensão no Mato Grosso.

A entrega do primeiro empreendimento ocorreu com antecedência. A oferta por Santa Maria foi em 2016. Em fevereiro de 2017 houve a assinatura do contrato e em 26 de junho o encerramento dos trâmites. ;Em 15 meses, fizemos tudo, inclusive o licenciamento ambiental, e a entrada em operação foi em outubro de 2018, dois meses antes do previsto;, explicaram os executivos.

A concessão dos dois projetos, financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), é de 30 anos. Em Santa Maria, a obra dos 158 km recebeu R$ 109 milhões em investimentos e empregou 550 pessoas. O projeto de 355 km do eletroduto Jauru-Cuiabá, no Mato Grosso, vai consumir outros R$ 380 milhões.

Para Ferraris, a experiência da Terna no ambiente de negócios no Brasil foi boa e a empresa está atenta a novas oportunidades. ;Olhamos tudo que está em volta com atenção. Nossa preocupação máxima é com qualidade;, ressaltou.

Apesar de já ter feito aquisições no país, a Terna está mais interessada em projetos greenfield, aqueles iniciados do zero, de acordo com os executivos. ;O Brasil é o país que tem mais potencial para investimento na América do Sul. Há muita promessa para os próximos 30 anos;, disseram. Na América Latina, a Terna Plus também tem projetos no Peru e no Uruguai.

Na Europa, é uma das principais operadoras de rede de energia elétrica, com 73 mil km de linhas na Itália e 25 interconexões com outros países. ;Na Itália, temos que garantir a segurança energética, com atuação em toda a cadeia de energia, inclusive no armazenamento. No Brasil, o foco é construção, exercício e manutenção de linhas de transmissão. Mas esperamos que, no futuro, toda nossa competência possa ser usada aqui;, assinalou o diretor executivo Luigi Ferraris.

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