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Correio Braziliense

Deputados preveem que reforma da Previdência só será votada em junho

Com o governo sem uma base de apoio bem articulada, deputados acreditam que negociação da reforma da Previdência deve durar mais tempo que o esperado pelo Planalto


postado em 20/02/2019 13:01 / atualizado em 20/02/2019 13:23

Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, recebe o Presidente da República, Jair Bolsonaro(foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados )
Presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, recebe o Presidente da República, Jair Bolsonaro (foto: Luis Macedo/Câmara dos Deputados )
Diferentes integrantes do governo federal disseram, nesta quarta-feira (20/2), ter a expectativa de que a reforma da Previdência seja aprovada pela Câmara e pelo Senado até o fim do primeiro semestre. No entanto, com o governo sem uma base de apoio bem articulada, deputados têm dito que, só a Camara deve levar até junho para validar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) encaminhada pelo presidente Jair Bolsonaro. Há, ainda, quem acredite que a votação em Plenário fique para o fim da sessão legislativa, em 17 de julho. Só depois, o texto seguiria para apreciação do Senado. 

As lideranças na Câmara não se sentem plenamente convencidas com a articulação política do governo. Entendem que o líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo (PSL-GO), está se esforçando para construir a base. Mas os movimentos ainda são incipientes para construir um apoio mínimo, avalia o líder do MDB, deputado Baleia Rossi (SP). “Chegar aos 308 votos para aprovar a reforma não é fácil. Não é uma medida que vai sair da noite para o dia”, destacou. 

A renovação e a fragmentação dos partidos na Câmara em relação à última legislatura é outro fator avaliado pelos deputados como entrave para uma aprovação mais rápida. Deputados dispostos a construir um diálogo com o governo alertam, no entanto, que Bolsonaro precisará gerenciar melhor as crises do governo. A forma como lidou com o ex-ministro da Secretaria-Geral, Gustavo Bebianno, não foi bem vista na Câmara.
 

Caso Bebianno

O vazamento de áudios de conversas entre Bolsonaro e Bebianno é um sinal de que a gestão da crise do governo não foi bem conduzida. Deputados avaliam que as turbulências no Palácio do Planalto passam uma imagem de instabilidade política, o que não pega bem. A análise é endossada por Rossi. “No caso, agora, fazer substituição de ministro para aprovar a reforma eu não acho razoável. Acho que não é bom. Não passa mensagem positiva”, avaliou. 

A primeira batalha do governo pela aprovação da reforma começa na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que ainda não tem um presidente definido. A expectativa é que o anúncio da composição das comissões seja feito na próxima terça-feira. Por isso, aliados sugerem que a articulação do governo deve focar as interlocuções com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e líderes partidários.

Construir um canal com lideranças para a escolha do presidente da CCJ e de indicados a compor a comissão é uma estratégia inevitável para evitar problemas na articulação. A interlocução deverá ser ampliada entre os diferentes partidos a fim de construir a base governista. O deputado Marcel Van Hattem (NOVO-RS), líder do partido na Câmara, admite que a articulação governista vai precisar melhorar. “Mas é uma questão de aprendizado e tenho certeza que o governo vai conseguir lidar com isso”, ponderou. 

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