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Correio Braziliense

Para especialistas, governo conseguirá 70% da economia prevista na reforma

A equipe econômica do governo estima que, num período de 10 anos, a nova Previdência deve gerar economia de R$ 1,1 trilhão, e, pelos próximos 20 anos, R$ 4,5 trilhões


postado em 22/02/2019 06:00

(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)
(foto: Ana Rayssa/Esp. CB/D.A Press)

Após a apresentação da PEC da Previdência, economistas e analistas debruçam-se, agora, em torno do impacto fiscal aos cofres públicos com as mudanças no sistema de aposentadoria. A equipe econômica do governo estima que, num período de 10 anos, a nova Previdência deve gerar economia de R$ 1,1 trilhão, e, pelos próximos 20 anos, R$ 4,5 trilhões.

O banco Citibank estimou, na segunda-feira, que, com a aprovação da reforma, a perspectiva era de que o governo conseguisse economizar R$ 500 bilhões em 10 anos, ou seja, metade do valor calculado pela equipe econômica. Na quarta-feira, o ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu que pode negociar alguns pontos do texto, como forma de atender a setores da sociedade e a estados, porém, com a exigência de que a economia deve ser acima de R$ 1 trilhão pela próxima década.

Para José Márcio Camargo, economista-chefe da Genial Investimentos, a proposta do governo deve garantir sustentação no Congresso por apresentar pontos sólidos, mas, como o texto está em estágio inicial, fica difícil avaliar que ponto atingirá. “Pode ser aprovada uma PEC que economize entre R$ 700 bilhões e 800 bilhões, mas ninguém sabe. A proposta é consistente, tem fundamento, começo, meio e fim, além de que também coloca os estados a favor dela, incluindo unidades da Federação e governadores que estão em situação financeira ruim. A meu ver, existe uma probabilidade razoável de a reforma ser aprovada em boa parte.”

Já para o economista da Sulamérica Investimentos Newton Rosa, a tramitação do projeto vai exigir muita negociação e o texto deve demandar meses para ser aprovado. “É difícil dizer o quanto o governo conseguirá, realmente, economizar, mas acredito que gire em torno de 70% do valor original, e o mercado já trabalha com isso”, afirmou.

Vilma Pinto, pesquisadora do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV), disse ser ainda cedo para   avaliar a real geração de economia com a PEC. “Muita gente diz que a reforma está superestimada, mas precisamos fazer a conta para provar se está ou não, o que não consegui. Ainda é um pouco cedo, pois a reforma mexe em vários pontos”, ressaltou. Segundo ela, “o texto tende a ser ‘desidratado’ no Congresso”, em decorrência da complexa tramitação.

 

 

Mercado

Ontem, o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), encerrou a sessão de negócios em leve alta de 0,40%, aos 96.932 pontos. Operadores passam a acompanhar, agora, com maior cautela, a tramitação da reforma no Congresso.

De acordo com Breno Bonani, analista da Valor Gestora, o mercado “andou de lado” ontem, em meio a um tumultuado cenário internacional, com o foco, por parte dos operadores, girando em torno da economia fiscal. “Continuam as dúvidas, entre analistas, de qual será o impacto fiscal da reforma. É consenso, porém, que do jeito que o texto está, não deve passar totalmente, havendo alguns cortes em determinados pontos”, disse.

Na manhã de ontem, o Banco Central Europeu (BCE) divulgou ata na qual dirigentes da instituição mostraram preocupação com o recuo da atividade econômica de países europeus, em um dia marcado, no mercado mundial, pela divulgação de indicadores. Operadores também acompanham os desdobramentos de uma nova rodada de negociações entre autoridades americanas e chinesas, em Washington, acerca da guerra comercial travada pelos dois países.

Já o dólar norte-americano encerrou o dia negociado a R$ 3,763 a venda, alta considerável de 0,72%. No mês, a divisa estrangeira acumula valorização de 2,91%  ante o real.

*Estagiários sob a supervisão de Cida Barbosa

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