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Correio Braziliense

Atividade econômica enfraquece e faz aumentar o desemprego em janeiro

Depois de dois meses de queda, taxa volta a crescer e alcança 12% em janeiro. País tem 12,7 milhões de pessoas em busca de uma vaga. Se forem considerados os desalentados e os que gostariam de trabalhar mais, falta trabalho para 27,5 milhões


postado em 28/02/2019 06:00 / atualizado em 27/02/2019 23:34

A taxa de desemprego interrompeu uma sequência de duas quedas seguidas e voltou a crescer no início do ano, alcançando 12%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o número de pessoas que procuram vaga no mercado de trabalho subiu de 12,4 milhões para 12,7 milhões entre o trimestre encerrado em outubro de 2018 e os três meses terminados em janeiro de 2019. Se forem considerados os desalentados — que desistiram de buscar emprego — e os que trabalham menos do que gostariam, falta trabalho para 27,5 milhões de brasileiros, o maior nível da série histórica.

Segundo analistas, o ritmo de atividade econômica foi frustrante no quarto trimestre de 2018, o que ainda ocorre neste início de 2019. Daniel Xavier, economista-chefe da DMI Group, disse que a estimativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) cresceria 0,4% nos últimos três meses do ano passado não deve se concretizar. “Agora, se avalia um PIB mais fraco, estável ou variando 0,1%. Ou seja, tem uma atividade mais fria. Pensando no primeiro trimestre de 2019, a tendência é de que os indicadores andem de lado”, destacou. Os dados do PIB de 2018 serão divulgados hoje pelo IBGE.

Em janeiro, normalmente há desaquecimento do mercado de trabalho, porque muitos dos tralhadores contratados temporariamente no fim do ano anterior são dispensados. Mesmo considerando essa característica, disse Xavier, os dados mostram que o mercado piorou. “Há, de modo geral, um arrefecimento das índices de confiança”, afirmou. “Isso se reflete nos índices de  desemprego.”

O economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio (CNC), Fábio Bentes, mostra mais preocupação com a taxa de subutilização, que é recorde. “São mais de 27,5 milhões de desocupados, desalentados ou trabalhando horas insuficientes, com uma dose grande de informalidade”, afirmou. “O resultado não poderia ser muito positivo, visto que a economia deve ter crescido apenas 1,2% no ano passado”, completou.



Informalidade

Segundo o IBGE, em comparação com o trimestre terminado em janeiro de 2018, a taxa de desocupação caiu de 12,2% para 12%, refletindo a fraca retomada do mercado nos últimos 12 meses. A pequena melhora, além disso, se baseou na informalidade. O número de trabalhadores com carteira assinada caiu de 33,2 milhões para 32,9 milhões no período. Já os informais subiram de 11 milhões para 11,3 milhões no mesmo período, uma alta de 2,9%. Os trabalhadores por conta própria, por sua vez, avançaram de 23,2 milhões para 23,9 milhões.

Para Fábio Bentes, a taxa de desemprego ficará alta até o fim de 2019. “Quando as vagas começarem a surgir, com a recuperação da atividade, a população desalentada vai procurar emprego, aumentando o número de pessoas em busca de ocupação”, disse. “Além disso, a retomada não ocorre num estalo de dedos. Este ano, boa parte dos investimentos está atrelada à realização das reformas”, acrescentou. Bruno Ottoni, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), estima que a taxa média de desemprego ficará em 12,1% em 2019. “Considerando que terminou 2018 em 12,3%, será uma melhora de apenas 0,2 ponto percentual”, estimou.


  • Petrobras lucra R$ 25,8 bi em 2018

    A Petrobras teve lucro líquido de R$ 25,8 bilhões em 2018, o primeiro resultado positivo depois de quatro anos seguidos de prejuízos. No quarto trimestre, a companhia teve lucro líquido de R$ 2,1 bilhões. A melhora do lucro operacional e do resultado financeiro, com a redução das despesas com juros possibilitada pela diminuição do endividamento, contribuíram para os números positivos. As receitas financeiras cresceram devido aos ganhos com a renegociação de dívidas do setor elétrico. “A performance  foi indiscutivelmente a melhor em muitos anos”, disse o presidente da estatal, Roberto Castelo Branco.

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