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Correio Braziliense

Azul faz oferta para adquirir ativos da Avianca, em recuperação judicial

A proposta não vinculante, de US$ 105 milhões, inclui 70 pares de slots e aproximadamente 30 aeronaves Airbus A320. Interesse é por posições em Congonhas, Santo Dumont e Guarulhos


postado em 11/03/2019 14:37 / atualizado em 11/03/2019 18:06

Avião da Azul se preparando para decolar(foto: César Novaes)
Avião da Azul se preparando para decolar (foto: César Novaes)
 
A companhia aérea Azul anunciou nesta segunda-feira (11/3) que assinou acordo para comprar ativos da Avianca Brasil, concorrente do setor que está em recuperação judicial. A proposta não-vinculante é no valor de US$ 105 milhões. O interesse da Azul é pelas posições da Avianca nos aeroportos mais movimentados do Brasil: Santos Dumont (RJ) e Congonhas e Guarulhos, em São Paulo. 

A Avianca já tinha desenhado o formato com separação de ativos mais importantes para disponibilizar a possíveis interessados. Fez isso por meio de Unidade Produtiva Isolada (UPI) de acordo com a Lei de Falências e Recuperação Judicial. A UPI inclui o certificado de operador aéreo da Avianca Brasil, 70 pares de slots e aproximadamente 30 aeronaves Airbus A320. A Azul é, até agora, a única empresa a apresentar oferta para alguns dos ativos, não todos.

Companhia com maior números de cidades atendidas do Brasil, com 821 voos diários e 110 destinos, a Azul quer os filés, ou seja, posições nos aeroportos do país com maior movimentação. Com uma frota operacional de 123 aeronaves e mais de 11 mil funcionários, a Azul possuía 220 rotas em 31 de dezembro de 2018. 

 “Destacamos que o acordo é não-vinculante e que o processo de aquisição da UPI está sujeito à uma série de condições como a conclusão de um processo de diligência, a aprovação de órgãos reguladores e credores, assim como a conclusão do processo de Recuperação Judicial. A expectativa é que esse processo dure cerca de três meses”, afirmou a Azul, em nota.  

Ou seja, para que o acordo avance ainda é preciso que o juiz da recuperação judicial convoque uma assembleia para que os credores da Avianca Brasil aprovem. Como a alternativa é a liquidação, a possibilidade de aprovação é alta. Porém, se outro interessado aparecer e pagar mais, também pode levar os ativos. Por enquanto, apenas a Azul se manifestou.

Depois da assembleia, o processo ainda precisa passar pela Agência Nacional de Aviação e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)

Recuperação judicia

Com crescentes prejuízos e atrasos em pagamentos de arrendamentos de aeronaves, a Avianca, quarta maior companhia aérea do país, está em recuperação judicial desde dezembro do ano passado. Até janeiro, a companhia tinha uma frota de 46 aviões. 

Em nota, a Avianca Brasil esclareceu que a notícia divulgada fala sobre uma intenção de compra, por parte da Azul Linhas Aéreas, de uma UPI (Unidade Produtiva Isolada) que será criada pela Avianca Brasil, e cuja estrutura ainda será definida. A empresa reforçou que nenhuma venda foi concretizada. "A companhia informa que o número exato de aeronaves e de slots que irá compor esta nova empresa está em processo de definição", disse, em nota. 

A Avianca Brasil explicou, ainda, que o acordo assinado prevê um DIP Financing, empréstimo com caráter de investimento prévio, para que possa manter sua operação até a realização do leilão de venda da UPI, que será agendado pela 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo.

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