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Correio Braziliense

Boletim Focus estima nova redução do PIB de 2019

Instituições financeiras consultadas pela autoridade monetária estimam que, acompanhando o baixo crescimento de 2018, a economia doméstica deve apresentar avanço abaixo do esperado em 2019


postado em 11/03/2019 18:00 / atualizado em 11/03/2019 23:53

(foto: Lucas Pacífico/CB/D.A Press)
(foto: Lucas Pacífico/CB/D.A Press)

 
O Boletim Focus, relatório semanal divulgado pelo Banco Central (BC) contendo as perspectivas de economistas e instituições financeiras consultadas pela autoridade monetária, reduziu as perspectivas, novamente, acerca do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2019. De acordo com o levantamento, o Brasil deve avançar, no ano, 2,28%, 0,02 ponto percentual (p.p) abaixo da previsão da semana anterior. Apesar da redução, a expectativa para avanço econômico do país, em 2020, passou de 2,70% para 2,80%. 

O mercado financeiro também prevê, para 2019, uma elevação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado o índice oficial que mede a inflação doméstica. De acordo com o relatório, a carestia aumentou 0,02 p.p, passando de 3,85% para 3,87%. Apesar da elevação, a inflação continua abaixo do centro da meta estabelecido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que, para este ano, é de 4,25%, com variação de 1,5 p.p para cima ou para baixo. No ano que vem, a previsão é de que o IPCA seja de 4%, dentro da meta fixada pelo CMN.

Na visão de Marcel Balassiano, pesquisador sênior da área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE-FGV), o ajuste, ainda que pontual do PIB doméstico, deve-se, entre outros fatores, aos números de 2018. “Foram mudanças pequenas, mas a redução do PIB pode ser analisada em função do pequeno avanço do país no ano passado (1,1%), divulgado há duas semanas, com crescimento vindo abaixo das estimativas do mercado. Como o dado veio fraco, as projeções para a frente, naturalmente, são reduzidas”, contextualizou.

Ainda de acordo com Balassiano, em decorrência da economia ainda encontrar-se no primeiro trimestre do ano, projeções são mantidas à espera de novos resultados. “Conforme os dados saírem, os números devem ser atualizados, assim como foi no ano passado”, disse, em alusão à conjuntura econômica de 2018, com a ocorrência da greve dos caminhoneiros. 

Segundo as instituições financeiras, a Taxa básica de juros da economia (Selic) deve encerrar 2019 a 6,5%, menor patamar histórico administrado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) desde março de 2018. Parte de economistas, no entanto, indica que, diante de uma eventual economia aos cofres públicos, em decorrência da aprovação da reforma da Previdência, e em meio à desaceleração econômica global, há espaço para que a autoridade monetária reduza os juros ao intervalo entre 6,00% e 6,25%. Para 2020, a previsão é de que a Selic seja de 8%.

Alex Agostini, economista da Austin Rating, no entanto, não acredita que, no curto prazo, a Selic seja reduzida como consequência de uma aprovação do texto da nova Previdência. “Relacionar a queda dos juros à aprovação da Previdência é prematuro. É óbvio que quando há a expectativa de uma economia fiscal, isso, por consequência, ajuda a manter o controle inflacionário, impactando o comportamento da taxa de juros no país. No entanto, a implementação do texto da Previdência, no momento, não irá garantir uma austeridade no curto prazo. A aprovação acontece hoje, mas uma contribuição do ajuste fiscal ocorre ao longo do tempo”, explicou. 

De acordo com ele, o BC deve adotar uma política de cautela, em meio a um cenário internacional “nebuloso”, com o avanço do dólar norte-americano frente ao real. Em relação ao câmbio, a expectativa do mercado é de que o dólar norte-americano encerre 2019 negociado a R$ 3,70, cotação que vem sendo mantida há semanas. Já para 2020, a perspectiva é de que o dólar finalize o ano cotado a R$ 3,80.
 
* Estagiário sob supervisão de Anderson Costolli 

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