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Correio Braziliense

Guedes:filhos e netos serão condenados com grande desidratação da reforma

O ministro tem dito aos parlamentares que não haverá derrota à equipe econômica se o projeto do governo não for aprovado, mas, sim, o próprio Brasil


postado em 13/03/2019 17:25

(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
 
Durante cerimônia de posse do presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse que, caso a reforma da Previdência seja desidratada ao ponto de economizar apenas R$ 500 bilhões em 10 anos, as futuras gerações serão condenadas. O governo federal pretende obter ganhos de, pelo menos, R$ 1 trilhão no mesmo período. As declarações foram dadas na tarde desta quarta-feira (13/3) na sede da autoridade monetária, em Brasília. 

Sendo aplaudido pela platéia de economistas que estava na cerimônia, Guedes comparou a situação atual como um avião que vai sem combustível para o oceano. Enquanto a geração atual pula de paraquedas, os filhos e netos ficam na aeronave e vão para o “inferno”. 

Guedes destacou que há um sentimento mais favorável para a aprovação da reforma da Previdência atualmente, se comparado com a época que foi encaminhada à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) de Michel Temer. 

O ministro tem dito aos parlamentares que não haverá derrota à equipe econômica se o projeto do governo não for aprovado, mas, sim, o próprio Brasil. “Vocês vão derrotar seus filhos e netos. A geração contemporânea tem essa responsabilidade. Estamos num sistema (previdenciário) de repartição que quebrou. Faliu. Antes da população envelhecer. Vocês querem trazer seus filhos para isso?”, afirmou. 

E exemplificou: “Quer dizer: seu filho entra no mesmo voo condenado, indo para alto mar sem combustível. O seu paraquedas você segura e ele vai para o inferno. É isso o que essa geração quer fazer? Ou essa geração tem a coragem de pagar o custo de R$ 1 trilhão”, afirmou Guedes.

Ele ressaltou ainda que é possível fazer concessões, mas desde que o valor seja garantido. “Quer dar um pouquinho mais para as moças? Ok. Tira dos militares. Quer dar um pouquinho mais para os militares e para as moças? Tira do rural. Mas há uma decisão entre contemporâneos de não abandonar as futuras gerações”, disse Guedes. 

Cerimônia


Guedes elogiou a gestão do ex-presidente do Banco Central (BC), Ilan Goldfajn, e garantiu que Roberto Campos Neto tem capacidade de comandar a autoridade monetária nos próximos anos. 

Guedes ironizou caso o Congresso desidrate a reforma para economizar apenas R$ 500 bilhões em 10 anos. "Problema nenhum. Vocês acabaram de condenar filhos e netos. Não lançamos capitalização e ficamos no sistema antigo", afirmou o ministro. A grande questão é em razão do regime de repartição que está falido, segundo ele. Para fazer a transição de sistemas, seria necessária uma economia grande de recursos. 

Ele afirmou que está muito convencido de que o governo federal conseguirá fazer "o que pretende fazer". "Se der acima de R$ 1 trilhão, eu digo que estamos numa geração de pessoas responsáveis e tem a coragem de assumir o compromisso de libertar filhos e netos de uma maldição previdenciária. Se botarem menos, eu vou dizer assim: eu vou sair daqui rápido, porque esse pessoal não é confiável. Não ajudam nem os filhos, então o que será que vão fazer comigo?", afirmou o ministro. 

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