Publicidade

Correio Braziliense

Boas práticas: BRF adota 'embaixadores' para reconstruir marca

Companhia lança programa com adesão voluntária de funcionários, que recebem treinamento e passam a ser responsáveis por disseminar boas práticas entre colegas


postado em 14/03/2019 06:00

Reunião entre a direção da BRF e os funcionários que fazem parte do sistema de integridade da companhia (foto: Divulgação/BRF )
Reunião entre a direção da BRF e os funcionários que fazem parte do sistema de integridade da companhia (foto: Divulgação/BRF )


São Paulo — Envolvida em uma série de problemas nos últimos anos, que tiveram como efeito danos à imagem e ao seu valor de mercado, a BRF tem investido na reconstrução de sua marca para deixar para trás o período de crise e suas consequências no dia a dia da operação. Em meados do ano passado, a companhia de alimentos contratou Reynaldo Goto para o cargo de diretor de compliance. O executivo passou a estruturar uma estratégia para disseminar na companhia normas que garantam o controle interno e externo da operação, segundo padrões legais e éticos.

Para conseguir a adesão dos funcionários, foi desenhado um sistema de integridade da empresa, lançado em fevereiro, que conta com os chamados ‘embaixadores’. São empregados das diferentes unidades da BRF que aderem voluntariamente ao programa e têm como missão tirar dúvidas de colegas sobre questões éticas, além de disseminar uma espécie de código de conduta na companhia.

Esses embaixadores têm acesso a uma plataforma on-line de informações e receberão treinamentos constantes sobre práticas de compliance. Só em Minas Gerais são quatro funcionários no chamado “sistema de integridade” – nas unidades de Uberlândia e de Ribeirão das Neves.

Segundo Goto, esse programa tem como meta melhorar a prevenção, a detecção e a solução de desvios de conduta e de fraudes. “A BRF entendeu que essas questões da integridade, de segurança e de qualidade dependem da atitude e engajamento de cada um. No final do dia, quem vai estar exposto a uma situação desse tipo é o funcionário, que também vai tomar uma decisão”, explica.

Ainda de acordo com o executivo, a plataforma de engajamento regional foi desenvolvida com o objetivo de tornar a política da empresa mais conhecida entre os colaboradores e, assim, garantir mais engajamento nas localidades.

Como a adesão ao programa era voluntária, Goto conta que no começo chegou a ter medo de que poucos se interessassem. Na primeira fase, 30 funcionários procuraram a empresa para fazer parte do programa de compliance e hoje já são cerca de 50, de áreas como contabilidade e produção. A empresa tem em torno de 90 mil funcionários e cerca de três quartos deles não têm acesso a correio eletrônico, o que também serviu para motivar a adoção do programa, já que os embaixadores são responsáveis por ouvir queixas e esclarecer dúvidas de forma presencial.

“O pré-requisito é que tenham uma imagem de credibilidade e integridade reconhecida por todos os colegas e que não sejam pessoas muito desconhecidas em seus departamentos, já que é um ponto de contato entre os colegas e a empresa para esclarecer dúvidas sobre procedimentos. E, é claro, procuramos por quem queira aprender, já que oferecemos treinamento sobre nosso sistema de integridade”, explica o diretor.

Os interessados em fazer parte do programa e que se tornaram embaixadores tiveram que passar por um teste com perguntas relacionadas a situações do dia a dia. Por exemplo, se a empresa pode fazer doação para campanha política ou como agir se um fornecedor decide dar um presente para alguém do setor de compras.

Depois de selecionado, o embaixador passa por um treinamento sobre regras e procedimentos no ambiente de negócios. “É um ganha-ganha. Ganha a BRF, que passa a ter pessoas mais engajadas, mais educadas sobre compliance e mais prontas para lidar e conduzir assuntos ligados a integridade. E ganham os embaixadores, que passarão por treinamentos e poderão, quem sabe, se interessar por uma nova área em suas carreiras”, opina o executivo.

Um dos embaixadores da BRF é Carlos Azevedo, que trabalha na área de logística na unidade do Recife, que atende à regional do Nordeste. “Chamou a atenção a forma como a empresa decidiu se engajar em temas como segurança, qualidade no que entrega e integridade. Achei que seria uma oportunidade de poder participar e levar adiante o que esse conceito de integridade representa e inspirar os colegas”, relata o funcionário, que trabalha na companhia há oito anos.

No treinamento, Azevedo teve acesso às políticas de integridade da BRF, apresentadas como se fossem receitas – já que se trata de uma empresa de alimentos. “Na rotina de trabalho, há procedimentos a serem seguidos e nessa preparação temos uma direção sobre aquilo que deve ser feito”, explica.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade