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Correio Braziliense

Ex-ministro da agricultura critica políticas econômicas para o setor

Segundo Allyson Paolinelli, é necessário focar as ações econômicas melhoria da produção de culturas no Brasil


postado em 15/03/2019 18:09 / atualizado em 15/03/2019 19:29

(foto: Divulgação)
(foto: Divulgação)
 
O presidente da Associação Brasileira de Produtores de Milhos (Abramilho), Alysson Paolinelli, criticou as políticas econômicas adotadas pelo ministro da economia Paulo Guedes para a agropecuária brasileira. Paolinelli, que foi ministro da agricultura, pecuária e abastecimento durante o governo Geisel, afirmou, em entrevista para o Correio, que Guedes “precisa ouvir mais” Tereza Cristina, atual ministra da agricultura.

“Eu estou muito preocupado com isso. Eu acho que a visão pessoal da área econômica ainda não é muito clara. Eu entendo que esse ministro (Guedes) é muito bom em finanças e fazer o dinheiro render. Agora fazer produzir, não conhece, não”, criticou. Recentemente, Tereza Cristina anunciou parceria com a pasta de economia para trabalhar o Plano Safra 2019/2020.  De acordo com ela, o crédito agrícola do antigo plano já acabou. No entanto, o governo teria liberado um novo teto de R$ 6 bilhões destinado a despesas de pré-custeio e custeio.

Paolinelli entende que falta organização na gestão pública. Para que haja uma produção ainda mais intensa, é necessário aumentar a capacidade de competição do agricultor brasileiro, disse o ex-ministro. “Eu acho que o Brasil já demonstrou ser capaz. Hoje, temos a melhor empresa de pesquisa do mundo que é a Embrapa. Temos o melhor conhecimento em agricultura tropical do mundo. Mas, se não tiver uma gestão inteligente para integrar essas forças, não dá certo”, reforçou. “Agricultura não é só produzir. Tem que produzir e comercializar bem”, completou. 

Ele defendeu que o futuro do Ministério da agricultura, pecuária e abastecimento tem que ser focado no crescimento e aprimoramento, sempre por meio da capacitação e do conhecimento técnico sobre o assunto. Isso se aplica, também, ao uso de agrotóxicos. “É um debate que precisa ser posto. Temos alternativas. Já existem estudos que mostram como combater as pragas com controle biológico”, explicou. Ele também afirmou que há muita desinformação sobre a prática de agrotóxicos e reforçou que o ideal é utilizar “biologia para combater biologia”. 

Cerrado

O presidente da Abramilho foi um dos responsáveis por trazer desenvolvimento agropecuário para a região do cerrado brasileiro. Antes de ser ministro, ele foi Secretário de Agricultura no governo de Minas Gerais, onde fez importantes projetos para a produção de café. Após isso, já como ministro, ele encorajou a capacitação técnica para maior aproveitamento do bioma cerrado de forma sustentável e responsável com o meio ambiente. 

Para Paolinelli, o problema que segura as produção na região centro-oeste é a água. Recentemente, a falta de chuvas atrasaram as produções de 2016 e 2017. “Muito se sabe sobre a química que funciona no cerrado. O agricultor brasileiro dominou isso. Mas ele esquece que a água é limitante natural”, afirmou. Segundo ele, a solução para este problema está no próprio solo, nos lençóis freáticos. Ele defende a prática de limitar a saíde da água dos rios para os mares com a finalidade de permitir que o solo absorva maior quantidade de água. 

“A gente precisa ter um novo conceito sobre como lidar com a água. Temos que proteger as nascentes, ela indica onde está a água, o aquífero”, reforçou. Ele entende que, para um melhor aproveitamento das águas subterrâneas, são necessárias políticas públicas apresentadas pelo governo. Segundo ele, o agricultor é também o maior produtor de água.  “Isso já acontece no mundo. A índia já utiliza esse recurso, os Estados Unidos também”, afirmou. 

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