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Correio Braziliense

Com plataforma on-line, Banco Inter aposta no mercado imobiliário

Com política comercial agressiva, instituição projeta crescimento acima de 30% no volume de recursos em 2019. Uma das modalidades oferecidas é o refinanciamento


postado em 19/03/2019 06:00 / atualizado em 19/03/2019 10:48

(foto: Gladyston Rodrigues/Estado de Minas)
(foto: Gladyston Rodrigues/Estado de Minas)

São Paulo — Enquanto muitos setores ainda sentem dificuldades em deixar para trás a recessão, que comprometeu o crescimento nos últimos anos, outros já dão sinais de terem deixado a fase ruim, como o da construção civil. Os financiamentos imobiliários com recursos das cadernetas do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) chegaram a R$ 5,1 bilhões em janeiro de 2019 (dados mais recentes divulgados pela Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança, a Abecip). Esse foi o melhor resultado para o mês nos últimos quatro anos.

Na comparação entre o desempenho desse mês em 2019 e 2018, o crescimento foi de 32,2%. O acumulado em 12 meses mostrou que foram aplicados R$ 58,6 bilhões na aquisição e na construção de imóveis com recursos do SBPE — alta de 33,6% na comparação.

Essa volta do interesse pelo setor imobiliário tem refletido não só no crescimento dos valores contratados com recursos do SBPE e na recuperação dos preços de venda e de locação, como tem mostrado o acompanhamento feito pelo Índice Fipe Zap, mas também tem levado bancos e fintechs a reavaliarem suas expectativas de ganhos com financiamentos para habitação em 2019.

Potencial


Em parte, as instituições são motivadas pela participação pequena dessa modalidade de empréstimo em relação ao PIB, que nos Estados Unidos chega a 80% e que por aqui ainda não alcança 10%.

O Banco Inter é uma das instituições financeiras que espera números bem melhores no segmento de empréstimos imobiliários neste ano, segundo Marco Túlio Guimarães, vice-presidente comercial. Hoje, sua carteira é de R$ 1,946 bilhão e representa o maior segmento de atuação. A atuação se divide entre a modalidade de crédito imobiliário (R$ 1,1 bilhão no financiamento imobiliário tradicional) e R$ 874 milhões na modalidade que envolve o imóvel como garantia de empréstimo, ou home equity.

“Essa modalidade está em alta e a tendência é de que aproveitemos a boa fase para surfar também. No ano passado, nossa carteira cresceu 30%, por isso, temos metas ousadas para este ano, com a previsão de uma expansão ainda maior”, diz Guimarães. Segundo o executivo, os produtos têm características diferentes. Um é opção para quem está adquirindo um patrimônio. Já no caso do refinanciamento, o cliente oferece o próprio imóvel, quitado ou financiado (com dívida pequena), e dá como garantia para tomar um empréstimo. Ambos servem de lastro para emissão de Letra de Crédito Imobiliário (LCI).


Capilaridade digital 


Para acelerar o crescimento, o Banco Inter deve aproveitar a capilaridade que tem como instituição financeira digital para levar esses produtos a clientes de outros segmentos de negócio. Como a captação de novos clientes e a oferta de produtos são feitas pela plataforma on-line, o custo tende a ser menor do que o de concorrentes com estrutura física. Além disso, a instituição aposta na internet, por meio de ações em redes sociais, para ampliar o volume financiado. Hoje já são 1,5 milhão de clientes e a projeção é chegar a 3,5 milhões até o fim do ano, diz o vice-presidente.

“Fazemos a triagem desse cliente para ver se ele tem o perfil para contratar, por exemplo, o refinanciamento imobiliário. A partir daí é que se faz o contato pessoal. O consultor vai até ele e explica como é a operação. Não somos um banco que está vendendo todos os produtos, nós temos foco nesses produtos da área imobiliária”, conta o executivo.

Como o refinanciamento imobiliário ainda é pouco disseminado no Brasil, o Banco Inter aposta na preparação de especialistas para fazer a aproximação com os potenciais contratantes. Nesses contatos, o funcionário do banco explica, por exemplo, que é possível continuar morando no imóvel refinanciado. “Deixamos muito claro que o banco está emprestando recursos e não quer retomar o imóvel do cliente de volta, esperamos que ele fique conosco por muitos anos, que essa relação tenha vida longa.”


Linha verde 


A tecnologia deverá ser uma aliada relevante no processo de crescimento do Banco Inter no setor imobiliário. Recentemente, a instituição criou uma espécie de “green line”, ou linha verde, nos mercados de São Paulo e Minas Gerais. Com o avanço do processo de registro eletrônico nos cartórios desses dois estados e um trabalho feito em conjunto com o banco, a aprovação dos financiamentos ganhou mais agilidade na sua tramitação.

(foto: Banco Inter/Divulgação)
(foto: Banco Inter/Divulgação)

“Desenvolvemos uma facilidade de contratação do produto e essa rapidez será importante para ajudar para ter menos fricção em um processo que costuma ser considerado desgastante, principalmente para os clientes. O crédito imobiliário costuma levar muito tempo, mas tem conseguido fazer uma disrupção”, explica.

Com a mudança de alguns procedimentos internos, o banco já consegue aprovar um financiamento imobiliário em até cinco dias, enquanto a média de mercado é de pelo menos 20 dias. No caso do home equity, o processo que levava até 12 dias hoje é feito em cinco dias. Agora, a expectativa é chegar até o final do ano com financiamentos aprovados dentro de um a dois dias. “Nessa mudança, tem sido cada vez mais importante o uso de tecnologia e muita inteligência”, completa Guimarães.

À medida que o refinanciamento imobiliário se tornar conhecido, Guimarães aposta que a modalidade substituirá outros produtos, como o crédito pessoal e o cheque especial, que muitas vezes acabam sendo a alternativa buscada pela pessoa jurídica para socorrer o caixa da empresa. Enquanto essas modalidades começam com juros a partir de 5% ao mês, para aqueles que optam pelo contrato com imóvel como garantia a taxa mensal no Inter é de 1,15%, enquanto que a média de mercado é de 1,5%.

Retomada do país 


O aumento da concorrência, principalmente com o surgimento de fintechs, não chega a ser um motivo de preocupação, garante o executivo. Segundo Guimarães, o aumento do número de competidores no segmento, especialmente para o refinanciamento imobiliário, pode tornar o produto mais conhecido entre os brasileiros. “A gente gosta da concorrência. Quanto mais players, mais o produto vai ser difundido.”

Mas o empurrão que o vice-presidente espera na modalidade imobiliária deverá vir mesmo é do aumento da confiança dos brasileiros em relação ao futuro da economia brasileira. O Inter também opera na compra e venda de imóvel. Para Guimarães, esse conjunto de fatores macroeconômicos deve ser o alavancador do que ele chamna de “céu de brigadeiro” para o setor em 2019. “Todos se preparando para comprar imóvel, e o crédito imobiliário vai auxiliar nisso. Da mesma forma, acreditamos que a PJ vai precisar de capital de giro para atender a uma demanda de crescimento do país”, garante.

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