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Correio Braziliense

'Estou mais para Brumadinho do que para Itaipu', diz Guedes na CAE

Após clima tenso ao longo de audiência pública na CAE, do Senado, ministro tenta mostrar humildade e tenta descontrair parlamentares


postado em 27/03/2019 19:29

(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
 
Depois de mais de quatro horas de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), do Senado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, ao reforçar o apelo para um apoio dos parlamentares à reforma da Previdência, ele baixou o tom e tentou demonstrar humildade após alguns entreveros com os parlamentares e tentou eliminar o rótulo de super ministro.

“Eu não sou superministro. Estou mais para Brumadinho do que para Itaipu”, disse ele, aos senadores, nesta quarta-feira (27/03), em um tom mais descontraído do que no início das perguntas dos senadores. Ele ainda lembrou que os ministros costumam pedir mais do que os estados, em referência aos R$ 1,9 bilhão de compensações anuais referentes à isenção fiscal sobre as exportações previstas na Lei Kandir, tem da audiência na CAE. Segundo ele, há 21 ministros contra um e “todo dia tem ministro pedindo mais do que os governadores”.

Crise

De acordo com Guedes, sem a reforma da Previdência, a economia vai mergulhar em uma nova recessão. “O país vai entrar em uma crise financeira dramática se o país não aprovar a reforma”, disse ele, acrescentando que tem evitado ir para fora do país, porque ele quer atrair capital financeiro comprometido “com o desenvolvido do país no longo prazo”.

“Com a reforma, vamos entrar em um ciclo longo de 10 anos de crescimento e não só com a reforma da Previdência”, afirmou ele, acrescentando que é preciso que, para isso, seja aprovada a reforma mais ousada, do jeito que está, com o novo sistema de capitalização. “Se o Congresso aprovar uma reforma pequena, sem a capitalização será uma reforma ‘a la Temer’”, criticou.  “Se aprovar uma reforma menor, de R$ 600 bilhões a R$ 700 bilhões (de economia em 10 anos), foi feita a reforma. Mas se aprovar a de R$ 1 trilhão, é um novo regime”, afirmou ele, acrescentando que, com essa mudança, o trabalhador vai se beneficiar desse juro composto que estraçalhou as contas de estados, de municípios e da União. “Tem tempo para desenhar o futuro, mas não tem tempo para salvar o que está aí”, afirmou.

O ministro ainda fez questão de afirmar que não é possível ter bom coração, em referência à assistência social, sem quebrar as contas, deixando a Previdência do jeito que está.  “Quer ter coração grande? Tem que ser eficiente. A fraternidade exige eficiência”, destacou ele, em resposta ao senador Rogério Carvalho (PT-SE). “Vc tem um sistema de seguridade que está aí há muitos anos. É solidário, muito fraterno e ele quebrou. Aliás, ele não é tão fraterno. Tem gente que pode se aposentar ganhando 20 vezes”, afirmou..

Guedes rebateu as críticas ao sistema de aposentadoria do Chile. “Não adianta dizer que não deu certo É papo furado”, bradou ele, lembrando que a renda per capita do Chile é maior do que a do Brasil e o Produto Interno Bruto (PIB) chileno cresce mais do que o brasileiro, com uma carga tributária de 20%. No Brasil, essa taxa é 36%. “Quer fazer fraternidade? Vai ter que aumentar imposto”, disse. Ele ainda afirmou que que, para continuar mantendo o sistema atual, seria preciso aumentar a carga tributária em mais 16%.

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