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Correio Braziliense

Apesar da crise política, investimento externo segue firme no Brasil

Tensão política entre Executivo e Legislativo não muda projetos da Iberdrola de ampliar a presença no Brasil. Empresa espanhola é líder global na produção de eletricidade a partir de fontes renováveis


postado em 30/03/2019 07:00

Planos do governo para o setor preveem grandes aportes em redes e geração renovável, como a eólica(foto: Acervo Abeeolica - 19/9/14)
Planos do governo para o setor preveem grandes aportes em redes e geração renovável, como a eólica (foto: Acervo Abeeolica - 19/9/14)

Bilbao — A tensão política entre o governo e o Congresso preocupa os investidores, mas não é vista como motivo para retardar investimentos no setor energético. A Iberdrola, por exemplo, líder mundial em produção de energia renovável, sobretudo eólica, mantém as previsões de expansão no Brasil. Estão mantidos, inclusive, os planos de abertura de capital da Neoenergia, o braço da companhia no país, na Bolsa de Valores de São Paulo (B3). A diretriz, dizem executivos do grupo, é continuar olhando o cenário de longo prazo.

Entre 2018 e 2022, a Iberdrola prevê investir 34 bilhões de euros em todos os mercados onde atua, inclusive no Brasil. Por conta da provável abertura de capital, ainda este ano, a empresa está em período de silêncio e evita comentar sobre o tema. Mas, a julgar pelo crescimento exponencial da companhia, é esperado um grande volume de aportes nos próximos três anos.

Em todo o mundo, o lucro operacional bruto da Iberdrola cresceu 28% em 2018. No Brasil, praticamente dobrou, afirmou ontem o presidente da companhia, Ignacio Galán, reeleito para o cargo por 98,2% do conselho de administração, na Assembleia Geral de Acionistas da empresa, em Bilbao, na Espanha.

A projeção de crescimento dos resultados está mantida para os próximos três anos. Em 2022, a companhia prevê lucro bruto superior a 12 bilhões de euros, o que significaria crescimento de 30% em comparação a 2018. A perspectiva é de que o lucro líquido fique entre 3,7 bilhões e 3,9 bilhões de euros, também uma elevação de 30% em quatro anos.

Os 34 bilhões de euros de investimento global previstos para o período de 2018 a 2022 também apontam crescimento. Até 2022, a previsão é de 7 bilhões de euros por ano, volume 32% superior ao total investido mundialmente em 2018, de 5,3 bilhões de euros. Todo o planejamento da Iberdrola permitiu à empresa fixar, ainda ontem, um dividendo mínimo anual no período para os acionistas, que atingirá 0,4 euro por ação em 2022. “É uma cifra que pode aumentar em consonância com o crescimento dos resultados”, destacou Galán.

Participaram da assembleia — ou foram representados — 74% dos acionistas da companhia. As contas da Iberdrola foram aprovadas por 99,2%. O discurso de Galán empolgou os investidores. Para o Brasil, a companhia tem planos ambiciosos. Na segunda-feira, assinou os contratos de concessão referentes ao leilão de energia realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) em dezembro.

Pelos lotes 1 (o maior em disputa), 2, 3 e 14, que incluem linhas e subestações nos estados de Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo, a Neoenergia deve investir quase metade dos cerca de R$ 13,2 bilhões previstos pela agência em cinco anos. Nesse período, a expectativa é de que a empresa crie 12 mil empregos, entre diretos e indiretos.

A atuação da Iberdrola no Brasil recebeu atenção no discurso de Galán. Ele destacou que o plano nacional de energia prevê enormes investimentos em redes e geração renovável para atender a uma demanda crescente. “É o resultado de uma melhoria nas perspectivas econômicas do país”, justificou. A construção da usina hidrelétrica de Baixo Iguaçu, que fornecerá energia renovável para 1 milhão de consumidores, no Paraná, foi outro investimento enaltecido. Com capacidade instalada de mais de 350 MW, a inauguração do empreendimento está prevista para o primeiro semestre deste ano. “Pouco antes do fim de 2018, enchemos a barragem da usina”, ressaltou Galán.

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