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Correio Braziliense

Bolsonaro: reforma da Previdência é necessária para equilibrar as contas

Presidente defende reforma pela primeira vez em Israel e afirma esperar que o Congresso aprove a mudança sem que ela seja muito 'desidratada'


postado em 01/04/2019 16:59 / atualizado em 01/04/2019 20:56

(foto: DEBBIE HILL)
(foto: DEBBIE HILL)
 
Jerusalém, Israel – O presidente Jair Bolsonaro falou pela primeira vez em Israel sobre a reforma da Previdência. Ao ser questionado sobre se haveria investimentos de Israel no Brasil, ele aproveitou o gancho para defender a proposta enviada pelo Executivo em fevereiro e que ainda não começou a tramitar no Congresso para que os investimentos venham para o país.

“Israel é um país irmão. Me dou muito bem com o (Benjamin) Netanyahu (primeiro-ministro israelense). Estivemos afastados por um tempo, durante o PT. Agora, o Brasil tem que mostrar que precisa mostrar que está fazendo o dever de casa. Com as nossas contas desequilibradas, a reforma da Previdência é necessária para isso. Reequilibrando as contas, o investimento irá para o Brasil”, disse o presidente, na noite desta segunda-feira (1º/04) a jornalistas após retornar ao hotel de um jantar.
 
Foi a primeira vez desde que chegou a Israel para uma visita oficial, ontem, que ele tocou no assunto. Ele contou que, na quinta-feira, quando retornar ao Brasil tem uma reunião marcada com “alguns líderes partidários”. “A decisão está com o Parlamento. No que depender de mim, farei sugestões. Eu conheço mais da metade dos parlamentares. Fiquei 28 anos lá dentro. Sei como funciona aquilo. Podia até dar sugestões, mas não quero me meter porque estou em outra casa”, afirmou. Ele disse que próxima viagem internacional dele “se ocorrer”, será depois do primeiro turno de votação da reforma da Previdência.

Para ele é possível que isso ocorra até julho. “Nós mandamos uma proposta. Ela não é minha nem do governo. É do Brasil. Nós não temos alternativa. Chegou a esse ponto. A Previdência está deficitária realmente e temos que fazer a reforma. Espero que o Congresso aprove sem que ela seja muito desidratada”, afirmou.

O presidente não acredita que a proposta da reforma dos militares, que acabou gerando resistência entre os parlamentares prejudique a tramitação da PEC da Previdência. “Não tem nada a ver. O militar não é Previdência. Eu sou suspeito para falar porque eu sou capitão do Exército. Tá certo? Mas a vida do militar é diferente. Ele trabalha 24 horas por dia. Tem situação extraordinária da tropa. É GLO (Garantia da Lei e da Ordem), são as interferenciais nossas, as missões, as mais variadas possíveis… A vida é complicada. Tá certo?”, defendeu ele, acrescentando que a categoria já teve mudanças desde 2000. “A única reforma que foi feita no governo Fernando Henrique Cardoso foi a nossa, por medida provisória. E ninguém mais entrou. A nossa é muito mais profunda que a dos demais”, emendou.

Palestina


Em relação à questão de o Estado Palestino demonstrar desagrado com a intenção de o governo transferir a embaixada brasileira para Jerusalém ele voltou a dizer que “não pretende ter atrito com ninguém no mundo”. “Temos viagem marcada para a China. Iremos com toda a certeza para algum país no Norte da África no segundo semestre também. Temos que aprofundar negócio com o mundo todo. Agora, Israel tem o seu direito de escolher sua capital. Ponto final. Se o Brasil hoje fosse abrir sua diplomacia com Israel, onde seria a embaixada? Seria aqui, em Jerusalém. Tá certo? Essa questão é simbólica de um lado e, do outro, é respeitar as decisões do respectivo estado.

Ao ser questionado porque decidiu ir acompanhado por Netanyahu na visita ao Muro das Lamentações, na Cidade Antiga de Jerusalém, o presidente disse que foi o primeiro-ministro quem decidiu acompanhá-lo. “Para mim, foi um motivo de honra e satisfação ir com ele no Muro”, completou.

O presidente chegou nesse domingo a Israel para uma visita oficial de quatro dias. Além do Muro, ele vistou a Igreja do Santo Sepulcro, a Unidade de Contra-Terrorismo de Polícia israelense e a Brigada de Resgate e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel, onde entregou a comanda da Ordem Nacional Cruzeiro do Sul para a Brigada, que enviou pessoal para ajudar a resgatar as vítimas do desastre de Brumadinho (MG). Amanhã, ele abre o encontro empresarial Brasil-Israel na parte da manhã. Estão previstos 200 a 250 participantes no evento. À tarde, vai ao Centro de Memória do Holocausto e ao Bosque das Nações, onde está previsto o plantio de uma muda de oliveira.

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