Gabriel Ponte*
postado em 01/04/2019 20:00
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), encerrou a primeira sessão de negócios da semana em alta de 0,67%, aos 96.054 pontos. A reação do mercado foi, segundo analistas, uma repercussão da expectativa dos agentes econômicos com o início da tramitação da reforma da Previdência na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Na quarta-feira (3/4), o ministro da Economia, Paulo Guedes, deve comparecer à Câmara, onde esclarecerá os principais pontos da reforma.
Pesou também, no pregão, os dados da atividade manufatureira da China, que apresentou o maior ritmo de crescimento em oito meses, reduzindo temores acerca da iminência de uma desaceleração global. Ainda no cenário internacional, os agentes econômicos aguardam, com expectativa, a retomada das negociações entre autoridades chinesas e estadunidenses nesta semana, podendo colocar fim ao imbróglio comercial que envolve os dois países.
A notícia aumenta o apetite ao risco, por parte dos investidores, corroborando com o avanço de índices no mercado mundial. Além disso, na conjuntura doméstica, a B3 apresentou a lista de empresas que vão compor a carteira do Ibovespa entre os meses de maio a agosto, com o ingresso da companhia aérea Azul, além do Instituto de Resseguros do Brasil (IRB).
Na visão de Newton Rosa, economista-chefe da Sulamérica Investimentos, o mês de abril será determinante na visão dos agentes econômicos. "Eu vejo abril como um mês decisivo, principalmente no que se refere à reforma da Previdência, sendo, obviamente, um mês importante para o governo, e, com isso, o investidor passará a olhar a conjuntura de perto. Isso já começa na quarta, quando Guedes irá à CCJ, e, dependendo do andamento, vamos já ter uma ideia inicial sobre qual ritmo vai correr a reforma", analisou.
Em relação aos dados exteriores, Rosa também pontua que, nesta primeira semana, a economia norte-americana divulgará indicadores econômicos, os quais, somando-se aos chineses, serão importantes para análise dos agentes. "É preciso manter o olho lá fora. Dados da economia norte-americana e chinesa devem mostrar algum rigor e afastar o fantasma de uma eventual desaceleração global", completou. Na sexta-feira (5/4), os EUA divulgam o payroll, relatório de criação de emprego na economia norte-americana. A estimativa é de que o país tenha criado, em março, 178 mil novas vagas no mercado.
Entre os ativos negociados no dia, os papéis ordinários da Vale avançaram fortemente, encerrando o dia com valorização de 3,28%, sendo negociados a R$ 52,60. Apesar da notícia de que a mineradora teria, por meio de uma manobra comercial, deixado de pagar impostos sobre a exportação de minério de ferro entre os anos de 2009 e 2015, o investidor continua a repercutir a valorização, no mercado internacional, do preço do minério de ferro, de acordo com Breno Bonani, analista da Valor Gestora.
;Na sessão de negócios de hoje, tanto o barril do petróleo, quanto o minério de ferro, surfaram em alta. Apesar da necessidade de se investigar o esquema denunciado, essa valorização da commoditie impulsionou o preço dos papéis da mineradora;, completou. Ainda segundo Bonani, em relação ao noticiário econômico, destaque para as negociações entre EUA e China, que tranquiliza o investidor mundial, acerca da eventual possibilidade de fim do confronto.
Hoje, o dólar norte-americano apresentou expressiva queda, recuando 1,00%, sendo negociado a R$ 3,873 a venda, diante da trégua entre o poder executivo e legislativo, além da divulgação de indicadores econômicos favoráveis no exterior, como os dados positivos da indústria chinesa. Soma-se a isso a expectativa em torno do avanço nas negociações comerciais entre EUA e China para o fim da guerra comercial.
* Estagiários sob supervisão de Anderson Costolli