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Correio Braziliense

Capitalização provoca bate-boca entre Guedes e deputados da oposição na CCJ

Ministro foi perguntado sobre a situação do Chile, que adotou a capitalização décadas atrás. Em resposta disse: 'A Venezuela deve estar melhor'


postado em 03/04/2019 15:22 / atualizado em 03/04/2019 15:41

Audiência pública sobre a reforma da Previdência. Ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes(foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados )
Audiência pública sobre a reforma da Previdência. Ministro da Economia do Brasil, Paulo Guedes (foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados )
Com menos de uma hora de audiência pública, houve bate-boca entre parlamentares e o ministro da Economia, Paulo Guedes, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Em referência aos congressistas que se dizem contrários à reforma da Previdência, o ministro disse: “Se vocês quiserem, embarquem seus filhos no avião que vocês estão. Vão acabar como no Rio de Janeiro, no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais”, disse.

A fala do economista foi aplaudida por alguns políticos, mas vaiada pelos deputados da oposição. Com gritos de “E o Chile?”, em alusão ao sistema de capitalização defendido pelo ministro, que seria similar às regras chilenas. Irritado, Guedes disse: "Acho que a Venezuela está melhor, deputados. Venezuela está bem melhor”.

Depois da declaração, precisou que o presidente da CCJ, Felipe Francischini (PSL-PR), se pronunciasse e interferisse nos embates. Em tom de desculpa, Guedes disse que havia cometido um “erro sério” ao reagir às interações dos membros da comissão.

"Me aconselharam 'não reaja', mas quis ser atencioso, isso acontece comigo. Sou muito respeitoso”, disse. Parlamentares reagiram com risadas e gritos ao desabafo do economista. “Os senhores têm muita familiaridade com esse ambiente, eu não. Vocês poderiam ter um pouco de atenção comigo e considerar que posso cometer erros. Cometi o erro de interagir", acrescentou.

Mais cedo, Guedes comparou ao regime previdenciário a um avião rumo a alto-mar sem combustível. Ele disse ainda que haviam bombas prestes a explodir dentro da aeronave, caso a reforma não fosse aprovada. O chefe da pasta econômica chamou ainda o sistema de repartição de "perverso" ao menos sete vezes em menos de cinco minutos. "Não vejo com olhar tão doce e gentil o sistema previdenciário atual, porque ele é perverso", pontuou.

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