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Correio Braziliense

Sem Zona Franca, renda per capita de Manaus cairia pela metade

Estudo mostra que a Zona Franca de Manaus impulsiona a aceleração no crescimento da renda da população


postado em 11/04/2019 12:12 / atualizado em 11/04/2019 17:14

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
O professor de economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Márcio Holland apresentou, na manhã desta quinta-feira (11/4), durante o seminário A importância da Zona Franca de Manaus para o Crescimento do País, estudo que aponta convergência da renda da população de Manaus e a da região Sudeste. Segundo o professor, a ZFM é fundamental para que haja o crescimento de renda na região. “A renda per capita, sem a Zona Franca, seria metade do que ela é hoje”, disse.

A aceleração da renda do estado também é crescente, segundo Holland. Ele apresentou gráficos que mostram a evolução da renda per capita da população local desde os anos oitenta. “Dá para perceber que algo acontece na Zona Franca de Manaus. Amazonas cresce mais aceleradamente do que outros estados. Mais que o Pará, mais que o Rio de Janeiro”, disse. O professor ressaltou que o rápido aumento da renda dos amazonenses não significa que a renda do estado é maior que a do Brasil. “Ela tem o crescimento da renda per capita mais acelerado do que de outros estados, mas isso não quer dizer que tem a maior renda”, explicou. 

Hollando afirmou que o aumento dessa renda converge com o desenvolvimento regional. Além disso, ele defendeu os incentivos fiscais para o aprimoramento do pólo industrial de Manaus. “Nós temos vários programas de incentivos regionais. Não se esqueça que a industrialização de São Paulo foi fortemente amparada em incentivos”, lembrou. 

“A região tem um parque industrial sofisticado”, disse. Ele reforçou que os efeitos colaterais da Zona Franca são positivos para o desenvolvimento social da região. “O Efeito sobre a educação nos impressionou”, afirmou.  Segundo a pesquisa, a escolaridade média dentre os trabalhadores da indústria de Manaus é cerca de 3 anos superior a do contrafactual (dados de 2015).

Gasto tributário

Uma das críticas trazidas por Holland em sua fala é sobre o gasto tributário no Brasil. Segundo ele, no Brasil, não existem pesquisas que avaliem o sucesso do gasto tributário. “Segundo a Receita Federal, o gasto tributário está em torno de R$280 bilhões ao ano. Um fato assustador é que a gente não tem estudo da efetividade desses gastos”, informou.

De acordo com o professor, o gasto tributário traz mais efeito na Zona Franca de Manaus do que em muitos outros estados. Os gastos são refletidos na criação de universidades, distribuição de água, infraestrutura e outros. “Se a gente tivesse preocupado com esse país, o gasto tributário não seria 50% no sudeste e 8,5% no norte”, criticou.  

Desmatamento 

O estudo apresentado por Holland também mostrou que o desmatamento seria ampliado caso não existisse a Zona Franca de Manaus. A razão: com o desemprego que seria gerado - especulado pelo economista em 500 mil vagas de empregos diretos e indiretos - levaria as pessoas a procurarem outras formas de renda com extração ilegal na região. “Quanto maior o emprego na indústria da região, menor o desmatamento. Na essência: se não tiver a ZFM, vai ter indústria extrativista”, alertou. 

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