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Correio Braziliense

Jair Bolsonaro: 'Não sou economista, já falei que não entendia de economia'

Presidente questiona aumento de 5,7% no preço do diesel previsto pela Petrobras em relação à inflação projetada em 3,9%


postado em 12/04/2019 17:00 / atualizado em 12/04/2019 17:18

Jair Bolsonaro, presidente da República(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Jair Bolsonaro, presidente da República (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
Após abalo no mercado de ações com a decisão do presidente da República, Jair Bolsonaro, de segurar o aumento de 5,7% previsto pela Petrobras para o preço do diesel, Bolsonaro assumiu não entender de economia. “Não sou economista, já falei que não entendia de economia”, disse. A frase foi dita após almoço em Macapá. Segundo o presidente, o Amapá era o único estado que ele não visitou durante a campanha eleitoral.

 

 

 

A medida foi tomada como uma forma de se prevenir uma nova paralisação dos caminhoneiros. Segundo o vice-presidente, Hamilton Mourão, a medida é pontual e não deve voltar a se repetir. 

 

O mercado não recebeu bem a decisão de Bolsonaro. Hoje (12/4), as ações da Petrobras já tiveram queda de mais de 5%. Às 16h30, a bolsa estava em queda de 2,06%, com 92.802 pontos. O dólar também subiu e atingiu R$ 3,89, com alta de +0,86%. Para economistas do mercado ouvidos pelo Correio, a medida vai contra a ideia de liberalismo econômico que o governo vem trabalhando. 

 

Contudo, Bolsonaro teria pedido uma explicação ao presidente da Petrobras que justificasse o aumento de 5,7%. Segundo informou o boletim Focus, divulgado toda segunda-feira pelo Banco Central (BC), a inflação para 2019 está projetada em 3,9%.  A meta estabelecida pelo BC para a inflação é 4,5%. Ou seja, ela está abaixo da meta, o que, teoricamente, não deve impulsionar uma alta nos preços. O presidente pretende se reunir com funcionários da estatal para discutir sobre a política de preços. 

 

Bolsonaro também afirmou que procura entender melhor como é feita a política de preços na Petrobras. Segundo ele, dúvidas sobre o custo e o refinamento do produto ainda persistem em sua cabeça. “Onde é que nós refinamos, a que preço, a que custo, eu quero o custo final”, disse, após almoço no Macapá.

 

Além disso, o mercado vem se decepcionando desde o início do governo. O resultado do Produto Interno Bruto para o final do ano já foi projetado para baixo mais de cinco vezes e a confiança nos empresário vem diminuindo. A Fundação Getúlio Vargas (FGV) publicou pesquisa que mostrou queda de 2,7 pontos percentuais no indicador de otimismo dos empresários. Este patamar deste indicador é o menor desde outubro. Além disso, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também apresentou índice que mede confiança de empresários em queda, ao atingir o patamar de 61,9 pontos, em uma escala de 0 a 100.

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