Publicidade

Correio Braziliense

'É possível consertar', diz Guedes sobre decisões econômicas de Bolsonaro

Nos Estados Unidos, o ministro da Economia comentou a interferência do presidente na política de preços da Petrobras


postado em 13/04/2019 20:57

(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil))
(foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil))

 
 
Após o presidente Jair Bolsonaro interferir na política de preços da Petrobras e suspender o reajuste de 5,7% no preço do diesel, o ministro da Economia, Paulo Guedes, disse neste sábado (13/4) que é possível “consertar” uma decisão do chefe do Executivo “que não seja razoável” na economia do país. “Uma conversa conserta tudo”, disse, em Washington, enquanto deixava o Fundo Monetário Internacional (FMI), onde cumpria agenda. Depois da decisão de Bolsonaro, as ações da empresa caíram 8,5% na Bolsa de Valores de São Paulo e o valor de mercado dela teve uma redução de R$ 32 bilhões em um dia.

Segundo o economista, Bolsonaro já havia dito que não era um especialista em economia e que o presidente só tomou a decisão porque deve ter se preocupado com os efeitos políticos de uma alta no diesel. “O presidente já disse para vocês que ele não era um especialista em economia, então é possível que alguma coisa tenha acontecido lá. Ele, ao mesmo tempo, é preocupado com efeitos políticos, estamos falando em greve de caminhoneiro, esse tipo de coisa, então é possível que ele esteja lá tentando manobrar com isso”, disse à imprensa.

Questionado sobre qual mensagem o governo quis passar com a decisão, Guedes afirmou que não sabia, mas iria se informar. “E eu concordo com suas preocupações”, acrescentou. Entretanto, o economista ressaltou o bom trabalho que o presidente da República tem feito à frente do Palácio e declarou que ele tem “muitas virtudes”. “Fez muita coisa acertada, e ele já disse que não conhece muito economia. Se ele, eventualmente, fizer alguma coisa que não seja razoável eu tenho certeza que nós conseguimos consertar. Uma conversa conserta tudo”, ponderou.

A interferência da política de preços ocorreu em meio à pressão dos caminhoneiros, que não esperavam pelo aumento. Ao serem informados do reajuste, líderes da categoria ligaram para o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, para demonstrar o descontentamento em torno do aumento do valor do litro do combustível. Foi quando Bolsonaro ligou para o presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, para pedir para suspender o aumento.

Agora, o grupo quer conversar com o setor do agronegócio para fazer com que a lei dos preços mínimos do frete seja cumprida. Essa é uma das medidas compensatórias que fazem parte das demandas dos caminhoneiros desde a paralisação de 2018, que causou uma crise de desabastecimento no país. A fim de evitar uma nova greve, Bolsonaro se reuniu ontem com a titular da Agricultura, Tereza Cristina, no Palácio do Alvorada, para discutir a questão.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade