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Correio Braziliense

Clubes de assinatura crescem 167% em quatro anos e se diversificam

Serviços que antes se limitavam à compra mensal - a exemplo de vinho, cerveja e livros - agora se tornam mais populares e avançam para outros tipos de produtos, como legumes e até ovos


postado em 23/04/2019 06:00 / atualizado em 23/04/2019 10:37

Entrega de alimentos é um dos vários nichos abarcados pela plataforma Vindi(foto: Vindi/Divulgação)
Entrega de alimentos é um dos vários nichos abarcados pela plataforma Vindi (foto: Vindi/Divulgação)

São Paulo — Nos últimos anos, os clubes de assinatura se consolidaram como uma das grandes revoluções do modelo de negócio do varejo tradicional. Receber em casa garrafas de vinho selecionadas por especialistas renomados, cervejas importadas de países pouco conhecidos dos brasileiros — como os do Leste Europeu — ou mesmo livros adultos e infantis se tornaram prática comum na casa de milhares de famílias.

Prova disso é que, pelos cálculos da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (ABCom), os negócios envolvendo os clubes de assinaturas dispararam como nunca no Brasil, com aumento de 167% nos últimos quatro anos. Os especialistas acreditam que os números atuais devem se multiplicar nos próximos anos, à medida que a logística se fortalece e a criatividade de novos empreendedores seduz consumidores.

“O forte crescimento do mercado de clubes de assinatura revela que existe imenso potencial para a popularização dessa modalidade de venda no país”, afirma o economista e consultor de varejo Frederico Rocha. “A comodidade de receber em casa produtos que passaram por rigorosa curadoria é um dos maiores apelos para que os clubes cresçam muito mais.”

Esse mercado não tem chamado a atenção apenas pelo ritmo de crescimento, mas por sua diversificação. Serviços que antes se limitavam à compra mensal de vinho, cerveja e livros avançam para produtos mais improváveis, como legumes e ovos. Um dos exemplos é a Expresso Ovos, em Brasília, que entrega o produto na casa ou no trabalho do cliente.

As assinaturas podem ser semanais, quinzenais e mensais, com preços a partir de R$ 12,99 e que variam de acordo com a quantidade e a periodicidade dos pedidos. A empresa atende às regiões de Águas Claras, Asa Norte, Asa Sul, Candangolândia, Cruzeiro, Guará, Lago Sul, Noroeste, Sudoeste e Octogonal.

De acordo com o fundador, Daniel Melo, a ideia surgiu para oferecer ao cliente a experiência de entrega programada ao público, com a vantagem de ter um atendimento personalizado e ovos selecionados, com qualidade e procedência garantidas, por um preço justo. “Neste ano, nossa grande aposta será a entrega de produtos orgânicos, um mercado que não para de crescer.”

Os números endossam esse potencial. Em 2014, os clubes de assinatura chegavam a 300 empreendimentos, como aponta pesquisa da ABCom. Em 2017, subiram para 800 empresas do ramo. No Brasil, o movimento anual é de R$ 1 bilhão, ainda distante dos US$ 10 bilhões nos Estados Unidos.

“O mercado comprova que os clubes de assinatura gradativamente conquistam a preferência dos consumidores que fogem dos atropelos nas filas das lojas e supermercados e procuram comodidade nas aquisições on-line”, diz Lidiane Oliveira, especialista em clubes de assinaturas da Vindi, plataforma especializada no setor. “O mercado de clubes de assinatura está se reinventando. O que víamos no começo sobre clube de produtos de beleza, hoje em dia, se transformou em um setor que atende a diversos nichos.”

Segundo Lidiane, a proposta básica é a contratação de serviços de entregas diretamente no domicílio dos interessados, que pagam uma importância mensal ou anual como participantes do modelo. Uma das maiores vantagens é o atendimento exclusivo, sem que seja necessário sair de casa para pesquisar produtos ou perder tempo em frente às prateleiras. “É um jeito simples de ampliar o leque de opções e conhecer e acessar as novidades”, afirma a profissional.


Retaguarda 


Entre os benefícios oferecidos pelos clubes de assinaturas estão o acesso a itens importados, nem sempre disponíveis no território brasileiro. Há de tudo um pouco — gêneros alimentícios, cafés tradicionais, vinhos, cervejas artesanais, queijos, doces, livros, roupas íntimas, gravatas, calçados, flores, itens pets e muito mais do que se poderia imaginar.

No caso da Vindi, a empresa oferece retaguarda e tecnologia de pagamento para 258 clubes de assinatura no Brasil. Atualmente, 9% dos negócios estão em Minas Gerais, com um total de 24 empresas parceiras. No exercício de 2018, as transações da empresa somaram R$ 170 milhões. O tíquete médio evoluiu nos últimos quatro anos — de R$ 97,34 em 2015, para R$ 137,54 em 2018.

A popularização dos clubes de assinatura também se deve ao sucesso do mercado delivery no Brasil. Os serviços de entrega foram impulsionados pela crise —que sempre proporciona oportunidades de negócios para empreendedores atentos —, pela necessidade de o varejo tradicional se diversificar e pelo avanço tecnológico dos últimos anos. Se antes os pedidos eram feitos por telefone, hoje os consumidores utilizam sites e aplicativos.

Segundo dados da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o mercado de delivery movimentou R$ 11 bilhões em 2018, alta de quase 10% em relação ao ano anterior. Nas grandes cidades, entregadores de empresas como iFood, Uber Eats e Rappi transformaram a paisagem urbana, comprovando que poucos negócios avançaram tanto no Brasil nos últimos anos. Líder do setor na América Latina, o iFood já está presente em 500 municípios brasileiros e registra, em média, 17,4 milhões de pedidos por mês.

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