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Correio Braziliense

Operadoras de telefone se voltam para mercado no interior do país

TIM vai propor a redução de tributos no setor para ampliar a adoção da Internet das Coisas no campo. Operadora de telefonia se associou a três empresas do segmento


postado em 30/04/2019 06:00 / atualizado em 30/04/2019 17:47

Empresa espera que a expansão da banda larga no campo e em áreas remotas conte com apoio governamental para deslanchar(foto: Fotos: TIM/Divulgação )
Empresa espera que a expansão da banda larga no campo e em áreas remotas conte com apoio governamental para deslanchar (foto: Fotos: TIM/Divulgação )


São Paulo — As operadoras de telecom têm buscado alternativas para melhorar o desempenho financeiro. Isso ocorre porque a taxa de crescimento nesse segmento tem desacelerado nos últimos anos. O Brasil chegou ao fim do primeiro trimestre do ano com 228,88 milhões de linhas móveis em operação, o que representa queda de 2,93% no total de linhas no país em 12 meses (-6,91 milhões).

Por isso, empresas como a TIM se voltaram para novas oportunidades. A operadora italiana começou, há um ano, projeto para levar o serviço de banda larga para as propriedades rurais do interior do país. Nesse período, fechou parceria com três empresas do agronegócio. Agora, parte para uma fase mais agressiva de expansão a partir da participação, pela primeira vez, na Agrishow, maior evento do setor, que começou ontem, em Ribeirão Preto (SP).

Rafael Marquez, diretor de marketing do segmento corporativo da TIM Brasil, diz que a estreia na Agrishow marca a chegada oficial da operadora no setor do agronegócio, levando cobertura 4G para o campo. “A estratégia tem a ver com o fato de o Brasil já ter ultrapassado mais de uma linha por habitante, ou seja, esse mercado que engloba a população urbana está praticamente ocupado. Mas, nesses anos todos, foi deixada de fora a maior área do país, a rural. Um quarto do Produto Interno Bruto (PIB) vem do agronegócio. Não atender a esse segmento é um contrassenso”, detalha o executivo.

Com o segmento da pessoa física bem-atendido, a TIM tem como foco a maior geração de negócios no universo corporativo, ou seja, no B2B, e isso vale também para o agronegócio. Segundo Marquez, esse é um setor que tem demandado cada vez mais tecnologia, “mas que não está conectado”. “Agora, estamos endereçando como modelo de negócio. Isso tem sido impulsionado pela chamada ‘limpeza do espectro’, ocorrida com a transição da TV analógica para a TV digital”, afirma.

O diretor da TIM explica que o aumento da oferta de banda larga no campo terá impacto direto no ganho de eficiência, já que permitirá ao produtor rural tomar decisões em tempo real. “Se o Brasil não se conectar, vai ficar para trás. Isso porque outros importantes competidores do agronegócio, como os Estados Unidos, já estão muito avançados nessa área.”

A TIM espera que a expansão da banda larga no campo e em áreas remotas conte com apoio governamental para deslanchar. Isso significa, entre outras coisas, convencer o poder público a abrir mão de arrecadação para que seja concedido o benefício da redução fiscal.

“Já começamos a conversar com órgãos de fomento, como bancos privados e públicos, e esse assunto será levado durante a Agrishow. Queremos mostrar que, sem a desoneração, não será possível dar escala ao negócio e levar ajuda ao médio e pequeno produtores”, avalia Marquez.

O executivo lembra que, sobre a área de telecom, há a incidência de uma série de tributos, em diferentes fases do negócio e em distintas esferas do Executivo. Ele cita, por exemplo, o ICMS e o PIS/Cofins. “Nossa proposta é que essa desoneração tributária seja discutida para que o Brasil possa avançar em tudo que for relacionado à Internet das Coisas (IoT, na sigla em inglês) e, assim, ser mais competitivo”, avalia.


Cobertura

Essa é uma das pautas de um grupo lançado ontem na Agrishow e do qual a TIM faz parte. O ConectarAGRO, formado também pelas empresas AGCO, Climate FieldView, CNH Industrial, Jacto, Nokia, Solinftec e Trimble, tem como pauta principal a conectividade do agronegócio brasileiro e a promoção de ambiente favorável de acesso à internet móvel nas diversas regiões agrícolas brasileiras.

Essas empresas pretendem promover a adoção de soluções abertas, inicialmente com a utilização da rede 4G na faixa de 700MHz, tecnologia global que permite a cobertura mais eficiente no campo.

Pelos cálculos da TIM, o investimento para implantar a tecnologia da rede 4G é de até meia saca de soja por hectare, avaliado pelo executivo como custo baixo em relação ao retorno possível. Segundo Marquez, o investimento em cobertura de rede aumenta a produtividade em cerca de 1% na primeira safra, o que já paga o investimento. 

Até agora, a TIM foi a única operadora a fazer parte do ConectarAGRO. “Estamos mobilizando o setor público e privado, puxando um movimento, mas esse não é um grupo fechado.” A expectativa com o ConectarAGRO é acelerar a expansão da cobertura 4G e chegar a cerca de 10% da área cultivada brasileira até o fim de 2019.

Atualmente, a TIM conta com três grandes clientes — dois deles já em operação, o que dá um total de 700 mil hectares cobertos com tecnologia 4G. São eles Jales Machado, em Goianésia, Adeco Agro (MT) e SLC Agricola (Sul da Bahia). Até dezembro, a operadora planeja ampliar sua rede para uma cobertura de 5 milhões de hectares. “Estamos destravando barreiras. Esse crescimento vai depender de fomento, de desoneração, mas gostamos de colocar o desafio antes”, diz o diretor da companhia.

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