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Correio Braziliense

Analistas do mercado financeiro avaliam que economia vai desacelerar

Recuo de 0,68% do IBC-Br, do Banco Central, considerado a prévia do PIB, deixa especialistas céticos sobre crescimento acima de 1% em 2019. Resultado ruim da economia preocupa Planalto, que teme perda de capital político do presidente


postado em 16/05/2019 06:00

(foto: Cristiano Gomes/CB/D.A Press )
(foto: Cristiano Gomes/CB/D.A Press )


O ano não chegou nem na metade, e os economistas já esperam que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) seja menor do que o registrado no ano passado, quando subiu 1,1%. Analistas do mercado financeiro projetam que a atividade econômica vai desacelerar, chegando perto da estagnação. Um sinal claro disso foi o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, que recuou 0,68% no primeiro trimestre, em comparação com os três últimos meses de 2018.

O resultado foi frustrante e pior do que a expectativa de economistas. Em razão disso, há uma grande preocupação no Palácio do Planalto de que o PIB no vermelho afete o capital político do presidente Jair Bolsonaro, que já tem sofrido baques por conta da desorganização da equipe e dos cortes no orçamento do Ministério da Educação.

A insatisfação do chefe do Executivo o levou a exigir do Ministério da Economia medidas de impacto imediato, mas, segundo analista, o ano ruim é dado como certo. O economista da BlueMetrix Ativos, Renan Silva, afirmou que a reforma da Previdência é tema essencial para retomar a confiança e conseguir concretizar investimentos. Mas, apesar disso, o governo federal tem se preocupado e se envolvido em temas secundários, o que sinaliza aos empresários e investidores que não há foco no ajuste fiscal.

“A cada elemento novo de desgaste, mesmo que não tenha efeito direto na atividade econômica, gera um desgaste para aprovar a reforma da Previdência. São discussões secundárias que promovem um somatório de dúvidas. No contexto econômico, esperava-se um caminho muito menos árduo”, afirmou Silva. “O mercado aguardava uma aliança do governo com o Centrão e um plano de aprovar a reforma de forma rápida. Isso não ocorreu. Parece que há um ranço político entre o centro e o Planalto, o que denota algo negativo para a economia. Num cenário de desemprego agressivo e empobrecimento notório do país, o cenário é desalentador”, completou.

O Brasil não registra PIB negativo, na comparação de um trimestre com o anterior, desde dezembro de 2016. O país cresceu 1,1% em 2017 e em 2018. Por enquanto, a medida das projeções do mercado financeiro apontam para uma expansão de 1,45% no ano, mas, após a divulgação do IBC-Br ontem, a tendência é de que as estimativas se aproximem de 1%.

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Pedro Paulo Silveira, avalia que o resultado deve ser pior. “Muito provavelmente o crescimento do Brasil ficará abaixo de 1% em 2019. Se levarmos em consideração que o desemprego é elevado, atingindo 13,4 milhões de brasileiros, o índice tende a ser pior do que o ano passado mesmo”, declarou. “É possível, inclusive, que a taxa de desocupação até aumente, já que o quadro fiscal não tem solução à vista e as expectativas estão empurrando a atividade econômica para baixo”, completou.

Sem estímulos 

Além do desemprego elevado, o desalento — que corresponde às pessoas que desistiram de procurar vaga no mercado de trabalho — está em nível recorde, atingindo outros 4,8 milhões de brasileiros. Como as contas públicas estão no vermelho desde 2014, o governo federal não tem condições de dar estímulos na política econômica. O Banco Central (BC) não deve reduzir a taxa de juros, já que a inflação no acumulado de 12 meses está próxima de 5%, dado o encarecimento dos alimentos e dos combustíveis.

O cenário internacional também não é favorável e mostra um desaquecimento da economia global. A principal razão é a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China, que tem afetado principalmente os países emergentes, como o Brasil.

O economista Rafael Cardoso, da Daycoval Asset Management, acredita que o país pode crescer mais do que no ano passado, mas que não há motivos para comemorar. “Em 2020, deveremos ter outro ano com crescimento baixo, de 2%. Para uma economia emergente e para um país que saiu da maior recessão da história, a taxa é muito baixa. É difícil imaginar um PIB forte no ano que vem”, destacou. 

 

Desaceleração anunciada 

O risco do crescimento econômico do Brasil ser pior do que o registrado no ano passado é grande. O país cresceu 1,1% em 2018 e pode crescer menos do que isso em 2019

 

>> Volta para o vermelho

O primeiro trimestre do ano foi um desastre para a economia, segundo analistas. Tanto é que há grande risco de que o Produto Interno Bruto (PIB) do período seja negativo, em comparação como o último trimestre de 2018.

 

>> Perda de confiança

Se isso se concretizar, será a primeira queda do PIB desde o quarto trimestre de 2016. Há uma preocupação do governo federal com isso, já que afeta o capital político do presidente Jair Bolsonaro.

 

>> Notícia ruim

O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado a prévia do PIB, mostrou que a economia brasileira recuou 0,68% no primeiro trimestre do ano.

 

Variação do PIB trimestre contra trimestre anterior nos últimos meses:

Período PIB * (em %)

 

4º tri/16 -0,6

 

1º tri/17 1,5

 

2º tri/17 0,3

 

3º tri/17 0,1

 

4º tri/17 0,3

 

1º tri/18 0,4

 

2º tri/18 0,0

 

3º tri/18 0,5

 

4º tri/18 0,1

 

1º tri/19 -0,68**

 

1º tri/19 -0,2***

 

* PIB fechado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)


** IBC-Br, considerada a prévia do PIB


*** Projeção de analistas para o PIB

 

>> Sem elogios

Os índices setoriais também mostram que a atividade econômica desapontou no início do ano. Por causa disso, economistas dão como certo o crescimento medíocre em 2019 e 2020.

 

 

Fontes: Banco Central, IBGE e especialistas 

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