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Correio Braziliense

BC também ficou decepcionado com crescimento da economia, diz presidente

Brasil cresceu 1,1% em 2017 e em 2018. Especialistas acreditam que o país deve crescer menos neste ano


postado em 16/05/2019 11:55 / atualizado em 16/05/2019 11:56

(foto: Marcelo Camargo/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Camargo/CB/D.A Press)
O presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, disse, durante audiência pública na Comissão Mista do Orçamento, realizada na Câmara dos Deputados, que a autoridade monetária também ficou decepcionada com os últimos resultados da economia brasileira. Ele foi interrogado por parlamentares na manhã desta quinta-feira (16/5). 

 

 


Os últimos indicadores econômicos mostraram que a economia está bastante fragilizada, correndo sérios riscos de ter um Produto Interno Bruto (PIB) negativo no primeiro trimestre desde ano. No período, tanto a indústria quanto o setor de serviços tombaram. O comércio ficou quase que estável. 

“Nós mencionamos na ata (do Comitê de Política Monetária) que ficamos também decepcionados com o resultado do crescimento. Inclusive mencionamos a palavra ‘retomada’, o que significa que nós achamos que o crescimento foi parcialmente interrompido”, afirmou o presidente do BC. 

O país cresceu 1,1% em 2017 e em 2018. Alguns economistas acreditam que o Brasil deverá crescer menos neste ano. Ou seja, haverá um desaquecimento da atividade econômica. Questionado pelos parlamentares sobre a queda de juros, que poderia estimular a economia, Campos Neto ressaltou que o BC precisa observar três fatores para reduzir a taxa Selic: cenário internacional, que pode injetar ou tirar liquidez, a efetivação das reformas e o cenário do hiato do produto. 

A Selic está em 6,5% ao ano desde março de 2018, ainda na gestão do ex-presidente do BC Ilan Goldfajn. Campos Neto participou de duas reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom) e decidiu, junto com a diretoria do BC, manter os juros no mesmo patamar. “O melhor jeito de crescer de forma estável é ter uma inflação sobre controle e ter uma expectativa de inflação ancorada”, disse. “Quando se perde a credibilidade, a moeda se desvaloriza”, completou. 

Ele enfatizou que o país precisa ajustar as contas públicas, que estão deficitárias desde 2014. Segundo Campos Neto, não existe país de inflação e juros baixos que tenha o cenário fiscal desarrumado. Ou seja, caso as reformas não se concretizem, em especial da Previdência, há um risco de alta das taxas de preços e da Selic. “Incertezas continuam no ar, isso explica um pouco esse adiamento da decisão de investir”, afirmou, sobre o impacto na economia. 

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