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Correio Braziliense

Guedes: 'O lobby contra a nova Previdência está em Brasília, não no Brasil'

Ministro defendeu a necessidade da reforma da Previdência em seminário promovido pelo Correio Braziliense e Estado de Minas


postado em 22/05/2019 11:27 / atualizado em 22/05/2019 19:40

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A reforma da Previdência é o portão o crescimento econômico e dos investimentos. Essa frase foi repetida várias vezes pelo ministro da Economia, Paulo Guedes ao defender, nesta quarta-feira (22/5), a mudança no sistema de aposentadorias durante a abertura do seminário “Previdência por que a reforma é crucial para o futuro do país?” realizado pelo Correio Braziliense e Estado de Minas com o apoio da Confederação da Agricultura e a Pecuária do Brasil (CNA), da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). Na avaliação do ministro, a resistência maior contra a reforma está em Brasília e não no Brasil. 

“Nós estamos abrindo o portão para os investimentos e para o crescimento”, disse ele, acrescentando que não existe alternativa para reforma da Previdência, pois o atual sistema está quebrado e não se sustenta mais. O ministro ressaltou que o estado gasta muito e mal e, por conta disso, a reforma é importante para reequilibrar as contas públicas. “O governo virou um aparato de transferência de renda. O Orçamento público foi capturado pelas corporações públicas e também pelos piratas privados”, disse.

Para Guedes, sem resolver a questão fiscal que passa por essa reforma, o país não voltará para a crescer, pois uma das maiores despesas hoje é a Previdência, que custa R$ 750 bilhões por ano, o país continuará preso na armadilha do baixo crescimento. “Gastamos hoje mais com idosos do que com os nossos jovens”, criticou ele, lembrando que o orçamento da Educação é R$ 70 bilhões, ou seja, dez vezes menos do que os gastos com aposentadorias.

Bombas-relógio

O ministro voltou a comparar o atual sistema de aposentadoria atual a um avião com várias bombas relógio armadas, como a questão demográfica, os privilégios e o sistema de financiamento do regime de Previdência que mata o emprego, pois o custo de cada trabalhador é o dobro para o empregador. Além disso, ele lembrou que, cada vez mais, diminui o número de jovens que contribuem para pagar os benefícios dos idosos. “O sistema está quebrado. Daqui a 40 anos serão dois jovens para cada idosos. Aí o avião vai cair para nossos filhos e netos. Não poderemos seguir com essa ameaça”, afirmou.

Ao defender a integridade da proposta enviada ao Congresso, ele fez questão de frisar que o impacto de R$ 1 trilhão em 10 anos da reforma será importante para garantir a transição do atual regime para o de capitalização, que ele chamou de “poupança garantida”. Segundo ele, a União vai garantir o mínimo de um salário mínimo para quem se aposentar após as mudanças do sistema previdenciário. “Esse é o combustível. Estamos dispostos a nos sacrificar porque, se vier R$ 500 milhões, estaremos comprometendo o futuro dos nossos filhos. Eles vão nos dar os paraquedas e ficarão no avião que vai cair no oceano lá na frente”, afirmou ele, acrescentando que o governo vai criar mecanismos para monitorar e garantir que as instituições funcionem com o novo regime.

Ao reforçar que um dos princípios da reforma é reduzir os privilégios e atingir quem hoje se aposenta mais cedo, antes dos 50 anos, e com os maiores valores de aposentadorias, como servidores, parlamentares e juízes, Guedes foi categórico ao denominar os maiores críticos da reforma: aqueles que trabalham na capital do país. “É evidente que o lobby contra está aqui em Brasília e não no Brasil. É Brasília que está contra a reforma da Previdência”, frisou.

Guedes reforçou que a prioridade do governo é a reforma previdenciária e que as demais medidas que estão sendo elaboradas e que ainda não foram vistas virão depois. A principal delas, as privatizações, terão como objetivo reduzir os custos da dívida, que é a segundo maior gasto do governo, custando quase R$ 400 bilhões por ano.

"Vamos travar essa despesa com as privatizações", garantiu citando como exemplo os futuros leilões de petróleo previstos para o segundo semestre. Ele citou também como medida futura o novo pacto federativo, que faz parte do discurso de mudar a forma de distribuição dos recursos da União aos estados e municípios. Outra medida defendida por Guedes é a redução do tamanho da máquina pública, reduzindo o número de concursos públicos. “Vamos travar os concursos. Vamos ter uma classe burocrática de mais qualidade, com menos gente mais bem paga e mais produtiva”, frisou.

Ao comentar sobre a vitória do presidente Jair Bolsonaro, Guedes ressaltou que o resultado das eleições refletiu a vontade de mudança da população e a esperança com uma nova política, que terá que buscar outros mecanismos de financiamento. “A atual forma de fazer política morreu. Vamos desenhar uma nova”, avaliou.

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