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Correio Braziliense

Brasil parece viver um 'suicídio em slow motion', afirma economista

Fábio Giambiagi entende que os governos federal e estaduais não têm mais condições de conter o avanço dos gastos, em especial da Previdência


postado em 22/05/2019 12:13 / atualizado em 22/05/2019 19:37

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Fábio Giambiagi, mestre em economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e economista do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), afirmou que o Brasil parece viver uma espécie de “suicídio em slow motion”, em que há uma exaustão do setor público em atender a população.

Na prática, ele entende que os governos federal e estaduais não têm mais condições de conter o avanço dos gastos, em especial da Previdência. As declarações foram dadas, na manhã desta quarta-feira (22/5) durante o seminário Por que a reforma é crucial para o futuro do país?. O evento que discute a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 6/2019) da “Nova Previdência” está sendo realizado pelo Correio Braziliense e pelo Estado de Minas, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Sebrae.

Ele exemplificou algumas situações recentes que ocorreram no país, como a greve de policiais no Espírito Santo, as rebeliões prisionais, a suspensão temporária da emissão de passaportes, a queda do viaduto em São Paulo e outros episódios que têm um denominador comum: “a exaustão do estado”. 

“Os elementos presentes é um quadro de deterioração contínua e ausência de perspectivas”, ressaltou Giambiagi. Ele lembrou que pessoas estão saindo do país porque acreditam que o Brasil não será reorganizado. “Nós estamos vivendo a pior recuperação da história. O mais preocupante é que nós temos a taxa de desemprego no conceito mais amplo, considerando o subemprego e subutilização, aumentando”, afirmou. 

O economista ressaltou que os gastos previdenciários estão crescendo exponencialmente nos últimos anos, assumindo parte das despesas em outras áreas. “Em grosso modo, o aumento da despesa de R$ 30 bilhões com Previdência (5%), significa conter as demais despesas em um terço. Isso não é possível de se conservar”, argumentou. Para Giambiagi, não é possível prever como o país vai resolver as disfuncionalidades fiscais e qual será o futuro das contas públicas. 

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