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Correio Braziliense

País entra em recessão com aprovação de reforma 'meia boca', diz economista

Para Solange Srour, é preciso implementar uma agenda mais ampla, que ainda não foi apresentada pelo governo, para recuperar a confiança e investimentos


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Solange explicou que, após a aprovação da reforma, não haverá uma 'onda de investimentos' no país(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
Solange explicou que, após a aprovação da reforma, não haverá uma 'onda de investimentos' no país (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
A economista-chefe da ARX Investimentos, Solange Srour, defendeu, durante o seminário Por que a reforma é crucial para o futuro do país?, que o país pode voltar para recessão profunda caso a reforma da Previdência não tenha o impacto suficiente para evitar o colapso das contas públicas. Para ela, é preciso implementar uma agenda mais ampla, que ainda não foi apresentada pelo governo, para recuperar a confiança e investimentos. 

As declarações foram dadas na manhã desta quarta-feira (22/5). O evento que discute a Proposta de Emenda Constitucional (PEC 6/2019) da “Nova Previdência” está sendo realizado pelo Correio Braziliense e pelo Estado de Minas, em parceria com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e o Sebrae. 

Solange explicou que, após a aprovação da reforma, não haverá uma “onda de investimentos” no país, como tem defendido alguns analistas. “Não dá para investir sem saber as regras de retorno. Eu entendo a agenda de privatizações concessões, mas é preciso ir além disso e melhorar o ambiente de negócios, e isso passa pela segurança jurídica”, afirmou. “Essa promessa, então, de que vem muito dinheiro, não é verdade”, completou. 

A economista-chefe destacou que a reforma da Previdência só fará com que o “doente morra”. “Evita o colapso fiscal”, disse. “Ela pode melhorar a produtividade do Brasil, porque, no longo prazo, aumenta a poupança privada e vai aumentar o tempo de trabalho das pessoas, mas não é suficiente. Nós precisamos do restante da agenda. Já perdemos o bônus demográfico e os últimos anos foram generosos com o Brasil, com cenário externo favorável, permitindo juros baixos. Nós desperdiçamos completamente isso”, criticou Solange. 

A analista entende que é preciso investir na simplificação tributária, na abertura comercial, no aumento da produtividade e outras agendas. De acordo com Solange, se o Brasil não resolver os problemas, continuará sendo um país de renda média, pobre e desigual. Ela citou que, enquanto não houver avanços significativos, o país terá dificuldades na recuperação econômica. Solange afirmou que, em 2019, o PIB deve ser menor do que o ano passado e tende a retrair, caso as reformas forem concretizadas. “O tempo é nosso inimigo”, afirmou a economista-chefe.

Pobre de planejamento

De acordo com o presidente do Fundo Parana%u0301 de Previde%u0302ncia Multipatrocinada e especialista em previdência, Renato Fallador, o Brasil é um país pobre de planejamento estratégico de longo prazo. Segundo ele, sem a reforma o país entrará em um abismo. “Eu sou absolutamente favorável à reforma da previdência. Mas tenho críticas construtivas”.

Fallador afirma que a reforma da previdência pode ser simplificada, e enquanto está na Câmara, pode sofrer alterações que melhorem ainda mais a proposta. “Podemos manter o que há de bom no sistema atual e simplificar a reforma”. Ele acredita que como está, esta proposta terá dificuldades para ser aprovada. 

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