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Correio Braziliense

Reforma da Previdência tem que ser simples e longeva, diz especialista

Renato Follador participou nesta quarta-feira (22/5) do seminário sobre a Reforma da Previdência promovido pelo Correio e pelo Estado de Minas


postado em 22/05/2019 17:32 / atualizado em 22/05/2019 19:48

(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
 
O presidente do Fundo Paraná de Previdência Multipatrocinada, Renato Follador, disse hoje pela manhã, durante o seminário Por que a Reforma é crucial para o futuro do país, promovido pelo Correio e pelo Estado de Minas, em Brasília, que a complexidade da proposta de reforma enviada pelo governo ao Congresso dificulta o entendimento e a adesão da sociedade à reforma da Previdência. Para ele, a reforma tem que ser longeva e compreendida pela sociedade. “Como o povo vai apoiar uma reforma que não entende?”, questionou. 

Ele sugere uma reforma limitada às mudanças que considera essenciais. Uma delas é elevar a idade da aposentadoria para 65 anos, sendo que homens teriam que acumular cinco anos a mais de contribuição. “Temos que ser justo com as mulheres pela dupla jornada”, disse. Ele propõe igualar o teto do benefício para o setor público e o privado e reduzir gradualmente o valor máximo das aposentadorias para três salários mínimos. Para mitigar o custo de transição da reforma, ele sugere que todos “paguem um pedágio” de 50% no tempo que falta para a aposentadoria.  Follador apresentou suas ideias no painel Crescimento, emprego e ajuste nas contas públicas, no seminário que contou com apoio do CNI, CNA e Sebrae. 

Na sua avaliação, o cálculo dos benefícios da proposta da equipe econômica é confuso e pode gerar injustiças.  “Uns se aposentariam mais cedo e outros mais tarde, o que causa confusão e injustiças. A reforma precisa ser simples”, opina. “Hoje, a forma do cálculo é por idade e leva em conta o fator previdenciário, ou seja, 70% do benefício com 1% a mais por ano, considerando tempo mínimo de contribuição de 15 anos. Com a nova proposta, seriam  2% adicionais ao ano, após 20 anos de contribuição. O governo fala em uma perda de 30%, mas essa perda é maior e para os mais pobres”, afirmou. 

Na sua avaliação, a regra de transição para o regime geral e para os regimes próprios de previdência, ou seja, o dos servidores públicos, deveria ser igual. “Se faltam três anos para a pessoa se aposentar, ela trabalha um ano e meio a mais. Essa é uma regra simples de entender, fácil de comunicar e aceitável”, afirmou. 

Para o sistema de capitalização, que a proposta do governo introduz, ele sugere que o modelo seja “implementado imediatamente” com a possibilidade do trabalhador aplicar 3% do valor do Fundo de Garantia por Tempos de Serviço (FGTS) e os empregadores, 5% do valor da contribuição patronal. 

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