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Correio Braziliense

S&P mantém perspectiva negativa para nota de risco da Natura

Ações da empresa caem mais 8% nesta quinta-feira na Bolsa de Valores de São Paulo (B3), um dia após anúncio da compra da Avon


postado em 23/05/2019 16:41

(foto: Divulgação/Natura)
(foto: Divulgação/Natura)
Um dia após a Natura confirmar a compra da norte-americana Avon, a agência de classificação de risco Standard & Poor’s, anunciou que os riscos de crédito da companhia brasileira não mudaram e manteve a perspectiva negativa para a nota da empresa.  


“Os ratings da Natura permanecem na listagem CreditWatch negativo, em que foram colocados em 25 de março de 2019”, afirmou a S&P, em relatório divulgado nesta quinta-feira (25/05). As ações da Natura despencaram, hoje e lideram a queda da Bolsa de Valores de São Paulo (B3), recuando pouco mais de 8% na tarde.

A agência destacou que a Natura e a Avon continuarão sendo empresas independentes, mas controladas por uma nova holding (Natura & Co.) listada em bolsa no Brasil, e, dessa forma, os ratings finais de ambas as empresas dependerão não apenas de seus perfis de crédito individuais. Analistas da agência lembraram que o balanço patrimonial da empresa já está pressionado pela compra da The Body Shop, em 2017, no valor de 1 bilhão de euros (R$ 4,53 bilhões, em valores do câmbio atual).  

“Nossa visão negativa para os ratings da Natura, que devem se basear na qualidade de crédito futura consolidada do grupo, reflete sobretudo os desafios para melhorar as operações da Avon. As operações relativamente mais fracas da Avon, com queda nas margens, resultaram em diversos rebaixamentos nos últimos anos”, afirmou o relatório da S&P assinado pelos analistas Victor Nomiyama e Luísa Vilhena. Eles destacaram que a margem do EBITDA (ganho antes das taxas, depreciação e amortização, na sigla em inglês) da Avon é de aproximadamente 8%, “significativamente abaixo da margem ajustada da Natura de 17%, em 2018”.

A S&P espera que novas dívidas relacionadas à aquisição sejam limitadas, uma vez que esta envolverá uma troca de ações entre a nova holding e os atuais acionistas da Avon. “Acreditamos que novas dívidas financeiras seriam limitadas às ações preferenciais da Avon no valor de US$530 milhões detidas pela Cerberus Capital Management. A cláusula de mudança de controle permite à Cerberus vender sua posição em um cenário de aquisição”, destacou

Para os analistas da S&P, a resolução da listagem CreditWatch dos ratings da Natura “dependerá avaliação do perfil de alavancagem, da posição competitiva, da liquidez e da estrutura de capital consolidada. A agência informou ainda que espera resolver a questão dessa perspectiva do rating após a aprovação dos acionistas e dos órgãos reguladores.

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