Jornal Correio Braziliense

Economia

Intenção de reduzir compras


A Intenção de Consumo das Famílias (ICF) caiu pela terceira vez seguida. A queda foi de 1,7% em relação ao mês anterior, segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A retração acumulada nos últimos três meses já atinge 4%. Segundo a CNC, o baixo dinamismo do mercado de trabalho é responsável pela situação. Quase 13 milhões de brasileiros estão desempregados, e isso influencia nas decisões familiares. Além disso, a alta de preços de combustíveis, alimentos e até eletrodomésticos afasta consumidores.

Cerca de 61,5% das famílias acreditam que o momento é ruim para a compra de eletrodomésticos, televisores, aparelhos de som, segundo a CNC. A psicóloga Raissa Mendes, 26 anos, não precisou deixar de comprar nada, mas os aumentos pesaram no salário. ;Eu e meu marido estamos selecionando bastante os nossos gastos;, disse. ;O maior aumento, para mim, foi nos eletrodomésticos, e como vamos nos mudar agora, estamos procurando fogão, microondas, essas coisas. Está difícil de encontrar algo dentro do orçamento;.

Alguns até deixaram de adquirir itens necessários para o dia a dia, como Leonice Ferreira,43, que vende salgados para se manter. ;Neste mês, aumentou o preço de tudo! Deixei de comprar feijão, porque o quilo estava a R$ 12. Um absurdo!” Nos últimos meses, ela pesquisou preços de máquina de lavar, mas não teve coragem de comprar. ;Vou continuar lavando minhas roupas na mão;, lamentou.

Para o economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, os dados são um indicativo de que o segundo trimestre do ano não melhorou. ;Tudo leva a crer que, se o consumo vai mal e as perspectivas não são boas, a tendência é, em geral, de um primeiro semestre muito fraco. Boa parte da agenda de destravamento do crescimento está ligada à reforma da Previdência, que vem evoluindo lentamente;, analisou.

* Estagiárias sob supervisão de Rozane Oliveira