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Correio Braziliense

Economia brasileira recua 0,2% no primeiro trimestre do ano, diz IBGE

Resultado do PIB é puxado por quedas na indústria, nos investimentos e na agricultura


postado em 30/05/2019 09:35 / atualizado em 30/05/2019 19:30

(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
(foto: Fernando Lopes/CB/D.A Press)
A economia iniciou o ano estagnada. O Produto Interno Bruto (PIB) do primeiro trimestre de 2019 teve queda de 0,2% em relação ao trimestre anterior, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados nesta quinta-feira (30/05). O dado ficou em linha com a mediana das estimativas do mercado, mas abaixo do recuo de 0,68% computado pelo IBC-Br, a prévia do PIB do Banco Central. Com esse resultado, o PIB voltou ao patamar do primeiro semestre de 2012 e está 5,3% abaixo do pico do primeiro trimestre de 2014. 

O ministro da economia não demonstrou surpresa com o resultado do PIB. "Isso não é novidade para nós, sempre dissemos para nós que a economia está estagnada. O país está parado à espera de reformas", comentou logo após a divulgação do resultado.

O resultado foi puxado, de acordo com os dados do IBGE, pelas quedas combinadas da indústria, de 0,7%; da agroindústria, de 0,5%; e dos investimentos, de 1,7%. A indústria extrativa e a construção civil são as que apresentaram os maiores recuos no trimestre, de 6,3% e de 2,2%, respectivamente.

Os serviços, que têm um peso de 70% na formação do PIB,  avançaram apenas 0,2% no trimestre e evitaram que a queda fosse maior, de acordo com Alessandra Ribeiro, economista e sócia da Tendências Consultoria. O consumo das famílias ficou abaixo das expectativas ao crescer apenas 0,3% e tem apresentado desempenho bastante fraco no ano, segundo analistas, sinalizando que a confiança não está melhorando. "Esse é um dos principais motores do PIB e não está ganhando tração. Isso é preocupante", destacou. A falta de vontade de gastar do brasileiro é reflexo do aumento da taxa de desemprego, que continua subindo. Está em 12,7% da população economicamente ativa,  deixando um exército de 13,4 milhões de pessoas sem trabalho formal.

O consumo do governo, que deveria apresentar queda pelas estimativas do mercado, teve uma leve alta de 0,4% nos primeiros três meses do ano em relação ao trimestre anterior. Esse crescimento, segundo a gerente de Contas Nacionais do IBGE, Claudia Dionísio, teve um efeito estatístico de uma base muito baixa, pois havia recuado 0,7% no último trimestre. "Além desse efeito base, é preciso lembar que nessa rubrica não tem apenas a União. Estão incluídos também os gastos de estados e municípios", afirmou.

Os investimentos ficaram em 15,5% do PIB levemente acima da taxa de 15,2% registrada no primeiro trimestre de 2018. Contudo, o indicador está abaixo das médias dos países emergentes, de 32,6% e da América Latina, de 19,6%, conforme os dados do Fundo Monetário Internacional (FMI). Esse dado reflete a poupança cada vez baixa de apenas, de 13,9% do PIB. No primeiro trimestre de 2018, era de 15,4%.

Sem revisão

O IBGE manteve a alta de 0,1% no PIB do último trimestre de 2018, evitando a revisão para baixo esperada pelo mercado. Com isso, evitou que a economia entrasse em recessão técnica (apresentando dois trimestre consecutivos de queda). No entanto, algumas estimativas do mercado já preveem retração no segundo trimestre do ano, porque a atividade econômica e o consumo continuam fracos nos dados preliminares. 

Na comparação com os primeiros três meses de 2018, o PIB cresceu 0,5%. E, no acumulado nos quatro trimestres terminados em março de 2019, subiu 0,9%, comparado aos quatro trimestres imediatamente anteriores.

Em valores correntes, o PIB somou R$ 1,714 trilhão entre janeiro e março, sendo R$ 1,462 trilhão referentes ao Valor Adicionado (VA) a preços básicos e R$ 251,5 bilhões aos Impostos sobre Produtos líquidos de Subsídios.

Pessimismo

As previsões do mercado, que começaram o ano esperando alta de 2,53% do PIB, caem toda semana em meio ao aumento das incertezas nas áreas política e econômica, travando a expectativa inicial de retomada do crescimento. 

A mediana das estimativas está, atualmente, em 1,23%, conforme o boletim semanal Focus, do Banco Central. Diante desse resultado fraco no primeiro trimestre, a tendência é que as projeções fiquem abaixo de 1% daqui para frente. 

O economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale, reconhece que os números da atividade econômica neste ano estão vindo muito ruins e não há perspectivas de uma expansão robusta em 2019. “O crescimento este ano será muito fraco, há risco de ser ainda menor que o ano passado. Por enquanto, estamos com 1,1%, este ano, e 2%, no ano que vem, mas o PIB pode ficar abaixo de 1% neste ano”, afirmou. Para ele, a volta do país para os pivôs atingidos em 2013 devem levar “!mais uns cinco anos pelo menos”. “Mais do que nunca precisamos de duas coisas agora: a aprovação de uma boa reforma da Previdência e a estabilidade política do governo. Esses elementos serão centrais para o crescimento dos próximos anos. Não creio que essa possibilidade de um parlamentarismo branco seja uma situação de equilíbrio. Ou o presidente busca um real equilíbrio político ou a economia vai continuar sofrendo”, completou.

Diante do resultado de 0,2% no PIB do trimestre dentro do esperado, André Perfeito, economista-chefe da Necton Investimentos, manteve sua previsão de 0,9% para o PIB deste ano. Contudo, avisou que deve “rever para baixo o valor nos próximos dias”.

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