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Correio Braziliense

Nova fusão no horizonte? Via Varejo se aproxima de Michael Klein

Leilão das ações que hoje pertencem ao GPA está marcado para esta sexta-feira (14/6). O filho do fundador da Casas Bahia já garantiu o pagamento de R$ 4,75 por ação, mas não revelou se terá sócios


postado em 13/06/2019 06:00

Se comprar as ações da Via Varejo, Michael Klein vai precisar de fôlego até que a economia brasileira dê sinais de recuperação(foto: Casas Bahia/Divulgação)
Se comprar as ações da Via Varejo, Michael Klein vai precisar de fôlego até que a economia brasileira dê sinais de recuperação (foto: Casas Bahia/Divulgação)
São Paulo — Michael Klein, filho de Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, conseguiu arregimentar alguns fundos de investimento e agora está perto de conseguir o controle da Via Varejo, da qual também fazem parte Ponto Frio, Bartira, as operações digitais do Extra e do Barateiro, além da VVAtacado.

 

Nesta quarta-feira (12/6), foi confirmado que o Conselho de Administração do GPA (controlado pelo Casino) aprovou a venda de suas ações na Via Varejo, num total de 36,27% de papéis. A oferta será feita por meio de leilão na B3, a bolsa paulista, marcado para esta sexta-feira (15/6), com intermediação do Itaú.

A decisão foi tomada depois que Klein comunicou por meio de carta que, caso a companhia venda os papéis que possui na varejista, o empresário, sozinho ou em conjunto com outros investidores, fará a oferta de até R$ 4,75 por ação.

Se o negócio chegar a esse valor, o desembolso chegará a R$ 2,2 bilhões. Ao lado de Klein, estariam fundos como Starboard, Apolo, além da XP Investimentos. Atualmente, a família Klein detém 25,43% do capital da companhia. O valor proposto por Klein corresponde a 5% de desconto sobre a cotação da última terça-feira, de cerca de R$ 5. Essa pode ter sido uma das razões para que os investidores não comemorassem a notícia do leilão dos papéis, levando a uma queda de 3,20% nas negociações de desta quarta-feira (12/6).

Um dos principais motivos para o mau humor em relação ao anúncio do GPA foi, na avaliação de Álvaro Frasson, analista sênior da Necton, a falta de clareza, ao menos por enquanto, sobre o que Klein pretende fazer com a Via Varejo quando assumir o seu controle.

Para os investidores, a falta de informação sobre o que esperar da Via Varejo quando seu controle mudar de mãos leva a imaginar, por exemplo, como poderá ser a briga da empresa com o principal varejista do país nos últimos anos, o Magazine Luiza.

“Apesar de Klein ter um histórico de sucesso com a Casas Bahia, com a possível recompra da Via Varejo a companhia poderá voltar a ser o que era, pertencente a um dono. Não foi apresentado até agora um planejamento muito claro do que vai ser o futuro da companhia”, avalia Frasson.

O especialista prossegue. “Não dá para pensar no mesmo modelo de negócio do passado, ainda que tenha projetado a Casas Bahia como projetou”, alerta o analista da Necton. A rede varejista ficou conhecida e ganhou força nacional com suas vendas com pagamentos feitos no carnê, com parcelas a perder de vista, em uma época em que o cartão de crédito não era tão popular como hoje, a concentração bancária era enorme e não se falava de palavras como fintechs e bancos digitais.

 

Enquanto a Via Varejo, aos poucos, foi avançando com a inclusão em sua operação de novas tecnologias para aumentar os ganhos no negócio e aumentar as facilidades para os clientes, o Magazine Luiza abraçou as ferramentas de inovação no varejo sem medo de errar e se tornou uma das empresas “queridinhas” do mercado de capitais, com alta valorização de seus papéis na B3.

Se o possível negócio não foi interpretado como uma boa saída para a Via Varejo, há uma percepção diferente em relação ao GPA e ao próprio Klein — que ofereceu um valor abaixo do que vinha sendo negociado. No caso do GPA, avalia Frasson, a decisão de leiloar as ações que detém na Via Varejo estão alinhadas com a decisão do Casino de sair do capital da empresa.

 

A intenção de se desfazer da participação na empresa foi anunciada no fim de 2016. Alguns nomes de interessados foram ventilados desde aquela época, mas só agora o negócio parece entrar na sua reta final. Além de cumprir sua meta de desmobilização, a companhia vai poder contar com uma boa injeção de recursos ao se desfazer desses papéis para se voltar exclusivamente à sua vocação, o varejo de supermercado.

Ao comprar as ações da Via Varejo agora, Klein vai precisar de fôlego até que a economia brasileira dê sinais de recuperação — o que só é esperado para depois da aprovação das reformas propostas pelo governo.

“Isso acaba sendo uma vantagem, porque o momento econômico é muito fraco e isso vem refletindo no varejo. Eles assumem a empresa num momento de baixa. Mas por que não imaginar que com a aprovação das reformas possamos esperar para daqui a uns cinco anos uma queda no desemprego de 13% para 6%? Isso vai ter reflexo direto nos números do varejo”, explica o analista da Necton.

Procuradas, as assessorias da Via Varejo e de Michael Klein informaram que as únicas informações que poderiam ser divulgadas foram as apresentadas por meio de fato relevante.

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