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Correio Braziliense

Com troca de farpas entre China e EUA, Brasil pode ajudar Foxconn

Países em que a maior fabricante terceirizada de produtos eletrônicos do mundo tem operações poderiam suprir a demanda atendida atualmente pela China para a produção de iPhones


postado em 14/06/2019 06:00

Reunido com o então governador de São Paulo, Geraldo Akckmin, em 2011, Terry Gou falou do interesse em investir mais no país(foto: DuAmorim/A2 Fotografia/Divulgação)
Reunido com o então governador de São Paulo, Geraldo Akckmin, em 2011, Terry Gou falou do interesse em investir mais no país (foto: DuAmorim/A2 Fotografia/Divulgação)
São Paulo — O Brasil pode ser uma das soluções para a Foxconn escapar da troca de farpas entre os governos dos Estados Unidos e da China. Em recente comentário feito por um dos principais executivos da gigante do setor de tecnologia, grande fornecedora da Apple, ficou claro que as operações no exterior poderão compensar as ameaças de retaliações que o presidente americano Donald Trump tem propagado com mais intensidade nas últimas semanas contra o país asiático.

Brasil, México, Japão, Vietnã, Indonésia, República Tcheca, Estados Unidos e Austrália, entre outros, estão entre os países onde a Foxconn tem negócios e que poderão suprir parte da produção que hoje se concentra em território chinês. Para acalmar acionistas, fornecedores e clientes, a companhia taiwanesa garantiu, nesta semana, que está pronta para transferir a produção, particularmente, de iPhones.

"Somos totalmente capazes de lidar com as necessidades da Apple de mover linhas de produção, se tiverem alguma", disse Young-Way Liu, chefe do grupo empresarial de semicondutores da Foxconn, durante reunião do estafe da maior fabricante terceirizada de produtos eletrônicos do mundo, na última terça-feira. Ainda segundo o executivo, a capacidade de produção da Foxconn fora da China é suficiente para abastecer a Apple e outros clientes com itens destinados aos EUA. Para isso, a fabricação poderia ser expandida globalmente para suas fábricas, "de acordo com as necessidades de nossos clientes".

O encontro da cúpula da Foxconn teria como pauta principal a sucessão de Terry Gou, fundador da companhia, que vai se desligar do comando do conselho para se dedicar à sua campanha para a presidência de Taiwan. Está marcada uma assembleia geral de acionistas para o próximo dia 22 e então será confirmada a sua substituição por um dos quatro novos integrantes do conselho, que serão eleitos nessa data.

Apesar da importância desse período de transição na companhia, grande parte da discussão centrou-se no agravamento da disputa comercial entre a China e os EUA e o impacto que as tarifas podem ter sobre o núcleo dos negócios da Foxconn — montar iPhones e iPads para a Apple, principalmente na China.

Mas o foco da discussão foi mesmo o agravamento da disputa comercial entre a China e os EUA e os impactos que as sobretaxas podem ter sobre o núcleo dos negócios da Foxconn, responsável pela montagem de iPhones e iPads para a Apple. Hoje, 25% de sua capacidade total de produção está localizada fora da China. Apesar da declaração de Young-Way Liu, a empresa garantiu que a Apple ainda não fez um pedido formal para que a montagem de seus produtos migrasse para outros países.

Mas até que ponto é possível garantir que a afirmação do executivo da Foxconn poderá ser colocada em prática? Especialmente no Brasil, a companhia deu sinais, no passado, de que palavras não necessariamente se confirmam em ações. Em 2011, o então governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu, no Palácio dos Bandeirantes, Henry Cheng, à época presidente da Foxconn do Brasil, para anunciar a instalação de uma fábrica da companhia na cidade de Itu. “A Foxconn já tem mais de 6,6 mil empregos no estado”, declarou o tucano naquela ocasião. Meses antes, Alckmin recebeu o presidente Terry Gou para falar sobre os planos de investimento.

Mercado

A empresa teria adquirido um terreno de mais de 1 milhão de metros quadrados e a expectativa governamental era de que o estado de São Paulo se consolidaria como um dos maiores polos de tecnologia do mundo. A promessa era de um investimento de R$ 1 bilhão e a geração de cerca de 10 mil empregos diretos. A unidade fabril começaria a operar no primeiro semestre de 2014. “A chegada da Foxconn na cidade de Itu consolida a intenção da companhia de investir pesadamente no mercado brasileiro nos próximos anos. O Brasil tem um imenso potencial de crescimento e tem se mostrado um excelente parceiro da Foxconn dentro da estratégia mundial de investimentos da empresa”, declarou Cheng, durante o evento oficial. Naquele ano, a unidade de Itu foi anunciada como a sexta fábrica da empresa em São Paulo e a nona no Brasil. No terreno, não foi levantada nem uma parede.

Se a Foxconn quiser contar com o Brasil como alternativa às barreiras de Trump à produção chinesa, terá hoje de utilizar a estrutura acanhada que restou em Jundiaí, também no interior paulista. Dessa unidade já saíram os iPads da Apple e os smartphones da divisão mobile da Sony.

A Foxconn do Brasil foi procurada, mas em seu site, o único contato é por meio de um formulário. Até o fechamento desta edição não houve resposta ao contato da reportagem.

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