Publicidade

Correio Braziliense

Ministério do Turismo quer benefício fiscal ao setor

Governo de Jair Bolsonaro prepara pacotes de medidas para melhorar investimentos na área


postado em 19/06/2019 12:05 / atualizado em 19/06/2019 12:05

Elevador Lacerda, Salvador, Bahia(foto: Márcio Filho/MTur)
Elevador Lacerda, Salvador, Bahia (foto: Márcio Filho/MTur)
O governo prepara um pacote de medidas para tentar destravar investimentos no setor turístico. Batizado de A Hora do Turismo, o plano prevê incentivos fiscais para que redes hoteleiras, restaurantes e empresas do setor possam se instalar em determinadas regiões do País.

A modelagem do pacote de estímulo foi apresentada ao presidente Jair Bolsonaro pelo ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antônio, e o presidente deu autorização para que os estudos sejam aprofundados. Ainda faltam ajustes, mas a ideia, afirmou o ministro ao Estado, é editar uma medida provisória nas próximas semanas.

O plano estabelece a figura das "áreas especiais de interesse turístico", nas quais empresas do setor estariam habilitadas a receber benefícios tributários. Segundo o ministro, a União contribuiria com descontos de até 50% no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e no Imposto de Importação para produtos sem similar no Brasil.

Mas, para que uma "área especial" seja criada, Estados e municípios também terão de abrir mão de parte de sua arrecadação. Conforme a minuta apresentada a Bolsonaro, na "área especial", as empresas receberão descontos de 50% no ICMS, que é um imposto estadual, e no ISS, tributo arrecadado pelas prefeituras.

Haverá ainda outra vantagem para as empresas que venham a se instalar nessas áreas: o licenciamento ambiental simplificado, com redução de etapas e de tempo de análise, e a permissão para que ele seja realizado, inclusive, por procedimento eletrônico.

Segundo o ministro, a definição das áreas será feita em conjunto com os Estados e os municípios que decidirem aderir. Marcelo Álvaro Antônio disse que serão critérios rigorosos, mas ainda a serem definidos. Em princípio, qualquer região poderá se candidatar, mas o governo levará em consideração aspectos como a proximidade com aeroportos, acesso a estradas duplicadas e atrativos naturais para conceder o benefício.

Algumas regiões devem encontrar outras resistências para se transformar em áreas especiais. É o caso de Angra dos Reis, balneário no Rio de Janeiro, já mencionado por Bolsonaro diversas vezes como de potencial turístico pouco explorado. Lá, seriam necessários ajustes na legislação ambiental, afirmou o ministro.

Para formular o plano, o Ministério do Turismo inspirou-se no modelo aplicado pelos mexicanos em Cancún, onde foi aproveitada a infraestrutura aeroportuária da região e concedidos incentivos tributários para empresas se instalarem.

Resistência

 

O pacote vai de encontro à meta declarada da equipe econômica de reduzir desonerações fiscais. Além disso, pode esbarrar na dificuldade de Estados e municípios de abrir mão de receitas, diante da crise econômica que se abate sobre boa parte deles.

O ministro disse que o plano já foi submetido ao Ministério da Economia. Novas reuniões serão feitas nos próximos dias para que a equipe econômica faça uma análise mais aprofundada do plano, que ainda pode ser modificado. Não há cálculos sobre a renúncia fiscal que o pacote traria.

Procurado, o Ministério da Economia disse que não iria se pronunciar. Uma fonte ouvida pelo Estado afirmou, contudo, que a pasta tem grande dificuldade em apoiar uma iniciativa que resulte em queda de arrecadação. A frustração de receitas fez com que a equipe do ministro Paulo Guedes anunciasse um pesado contingenciamento no Orçamento deste ano para cumprir a meta fiscal.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade