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Correio Braziliense

Bolsonaro parece um caçador de fantasmas, diz Rabello de Castro

''Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União, Polícia Federal, auditores privados. Ninguém acha nada de errado'', disse o ex-presidente do BNDES


postado em 20/06/2019 06:00 / atualizado em 20/06/2019 00:40

(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
(foto: Antonio Cunha/CB/D.A Press)
O economista Paulo Rabello de Castro, que presidiu o BNDES entre junho de 2017 e abril de 2018, durante o governo de Michel Temer (MDB), disse que o presidente Jair Bolsonaro se comporta como “caçador de fantasmas”, ao insistir em procurar o que chama de “caixa-preta” do banco. Ele afirmou que vários técnicos em diferentes órgãos federais controlam as atividades da instituição. “Tribunal de Contas da União, Controladoria Geral da União, Polícia Federal, auditores privados. Ninguém acha nada de errado”, disse.

Na segunda-feira, em carta ao ministro da Economia, Paulo Guedes, Joaquim Levy se demitiu da presidência do BNDES depois de ser criticado por Bolsonaro. No sábado, o presidente da República disse que o chefe da instituição estava com “a cabeça a prêmio”. Bolsonaro estava insatisfeito com Levy por nomear técnicos que trabalharam no governo do Partido dos Trabalhadores e por demorar para abrir a “caixa-preta do banco”. Levy foi substituído pelo economista Gustavo Montezano.

Paulo Rabello de Castro disse que, durante sua gestão, contratou a consultoria internacional para avaliar a gestão do BNDES. “A qualificação do banco é muito positiva no cenário internacional”, disse.  Segundo ele, a consultoria avaliou se os clientes da instituição eram adequados, ou seja, se eram qualificados para receber os empréstimos. “Estão preocupados com ágio de centavos, quando as ações das empresas financiadas se multiplicaram e chegaram às alturas. A JBS, por exemplo, é hoje a maior empresa de proteína do planeta”, disse.

O economista afirmou ainda que a consultoria não encontrou erros de gestão em empréstimos a negócios em Cuba e na Venezuela. “Os empréstimos não são para os países, mas para a produção. O banco financia engenharia, atividade econômica”, afirmou, e esclareceu que o objetivo da consultoria contratada era verificar a correção da gestão e não buscar uma organização criminosa. “Não vi nada de desabonador. Foi uma gestão expansionista durante uma recessão internacional”, disse, em referência à administração do banco nos governos do PT.

“Não há nenhuma reclamação dos órgãos de controle. Ao contrário, só há elogios. E todas as informações estão disponíveis. Entre os bancos públicos, inclusive os internacionais, o BNDES é o mais transparente”, disse Luciano Coutinho, que presidiu a instituição entre 2007 e 2016.

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