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Correio Braziliense

Bolsa segue batendo recordes e chega aos 102 mil pontos

Índice que acompanha a oscilação das principais ações negociadas na B3 chega a 102.013 pontos. Perspectiva de corte de juros e de aprovação da reforma da Previdência anima investidores, mas tensão geopolítica é risco


postado em 22/06/2019 07:00

Crise entre Estados Unidos e Irã impactou investidores em Nova York, onde o Dow Jones caiu 0,13%(foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP)
Crise entre Estados Unidos e Irã impactou investidores em Nova York, onde o Dow Jones caiu 0,13% (foto: Spencer Platt/Getty Images/AFP)
A Bolsa de Valores de São Paulo continuou batendo recordes. Nesta sexta-feira (21/6), o principal indicador do pregão, o Ibovespa, atingiu 102.013 pontos, com elevação de 1,70%. A alta veio em consequência das expectativas de cortes de juros no Brasil e em outros países, o que favorece investimentos em ações, e da valorização do petróleo, que beneficia a Petrobras, empresa cujos papéis tem grande influência no comportamento do Ibovespa. Os títulos da estatal subiram 3,4%. No mercado de câmbio, o dólar permaneceu comportado e fechou em queda de 0,68%, a R$ 3,82 para venda, o menor patamar desde 10 de abril.

Na última quarta-feira (19/6), pela primeira vez em mais de um ano, o Banco Central indicou claramente que pode reduzir a taxa básica de juros, a Selic, já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em julho. Na própria quarta-feira, antes do feriado de Corpus Christi, o Ibovespa terminou o dia acima dos 100 mil pontos. Segundo o investidor Thiago Nigro, criador do canal O primo Rico, com a taxa de juros em queda, fica mais fácil para as empresas tomarem crédito, o que favorece os lucros e, em consequência, o valor das ações. Para o investidor pessoa física, a Bolsa também se torna mais atrativa.

“O brasileiro investe tradicionalmente em renda fixa. Com a taxa de juros baixa, é natural que as pessoas busquem alternativas de renda variável, como a bolsa”, explicou Nigro. Além disso, a maior procura por ações, nesse momento, acaba ajudando a elevar o preço dos ativos.

Porém, é preciso conter a euforia, e entender que a Bolsa tem altos e baixos. Quem pretende deixar o dinheiro por poucos dias no mercado de ações deve ter em mente que, após um período de alta, é comum que os investidores realizem lucros, ou seja, vendam as ações para garantir o ganho já obtido. Esse movimento pode resultar em queda dos índices e em perdas para os mais afoitos. 

Segundo Álvaro Bandeira, do portal Modalmais, a alta da Bolsa é uma tendência diante do cenário econômico externo favorável e das perspectivas da aprovação da reforma da Previdência. “Tem que tomar cuidado. O comportamento do Ibovespa vai depender do fluxo de recursos para a Bolsa, mas a tendência é de alta se não houver tensões nas próximas semanas”, avaliou.

As tensões no exterior vêm, sobretudo, do cenário geopolítico, com a possibilidade de um conflito bélico entre Estados Unidos e Irã que pode fazer explodir as cotações do petróleo e provocar uma desaceleração brusca da economia global. Sensíveis aos riscos, as bolsas asiáticas fecharam em queda e as principais europeias também. Em Nova York, o índice Dow Jones terminou o dia em queda de 0,13%.

Os últimos dias também foram favoráveis aos brasileiros que pretendem viajar ao exterior e às empresas que têm dívidas em dólar. A moeda norte-americana caiu 1,90% na semana, respondendo à sinalização do Federal reserve, o banco central dos Estados Unidos, de que pode cortar as taxas de juros norte-americanas. Juros mais baixos nos EUA favorecem os países emergentes, pois os grandes investidores internacionais tendem deslocar recursos para economias em desenvolvimento, como a brasileira.

No cenário externo, o preço do petróleo aumentou mais de 3%, na quinta-feira, após o Irã abater um drone dos Estados Unidos, aumentando temor de confronto entre os dois países. Da mesma forma, as expectativas dos agentes econômicos se voltam para o encontro entre o presidente norte-americano, Donald Trump e o presidente da China, Xi Jinping, durante a reunião do G-20, no Japão. As autoridades devem abordar a guerra  comercial entre as duas potências.

* Estagiária sob supervisão de Odail Figueiredo

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